Acervo Dom Bosco

OS CONCELHOS GERAIS E A IGREJA CATÓLICA

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São João Bosco - Obras publicadas.

I CONCILI GENERALI E A IGREJA CATÓLICA

CONVERSAS ENTRE UM PADRE E UM JOVEM PÓROCO PARA O PADRE GIOVANNI BOSCO

 

TURIM.

TIPOGRAFIA DO ORAT. DE S. FRANCO. DE SALES.

1869. {1 [1]}

 

PROPRIEDADE DA EDITORA. {2 [2]}

 

 

 

 

INDEX

Proemio  2

Conversa I. Conselhos – Suas espécies; particular e geral - Diocesano, provincial e nacional - Condição para que um concílio seja considerado geral e legítimo - Quem pode convocar o concílio geral - Quem tem direito de participar e dar voto deliberativo - Concílios apostólicos - Utilidade dos concílios. 2

Conversa II. O papa é superior ao concílio. - O Papa é infalível em matéria de fé e de moral, mesmo só em si mesmo. - Nenhum papa jamais errou como papa. - Infalibilidade e autoridade do conselho. - Não se criam novos dogmas nos concílios. - As definições e leis de um concílio vinculam os cristãos em si. - Testemunhos não suspeitos a favor dos conselhos. 9

Conversa III. Quantos conselhos gerais houve; breve menção a cada um. 18

Conversa IV. Do Concílio Vaticano I. - Seu propósito. - Sua oportunidade. - Motivos graves que levaram o Papa a convocá-lo. - Convite feito a bispos cismáticos e protestantes. - Abertura do conselho. - Discussão e forma como a Igreja é infalível. - Encerramento. - Oração e esperança. 29

Oração. 35

Indice  36

 


Proemio

 

            Dois jovens irmãos pertencentes a uma família rica ainda vivem numa aldeia no Piemonte. O mais velho se chama Enrico, o mais novo é Tommaso. O primeiro, tendo passado algum tempo na cidade, teve a infelicidade de se entregar à má leitura e de se associar a maus companheiros. Tendo sido chamado de volta à família, não há como dizer como ele afirmou ser sábio e algo grande. Ele queria falar sobre tudo, {3 [3]} discuta questões com todos. Mas como extraíra toda a sua sabedoria de jornais e romances sedutores, em suas conversas, especialmente sobre questões religiosas, ele sempre mencionava os erros mais flagrantes. Queria dar as suas respostas mais acaloradas com o seu irmão Tommaso, um jovem de cerca de 18 anos, de natureza muito jocosa, que, embora não tenha feito tantos estudos como Enrico, no entanto conhece coisas de religião muito melhor do que ele. Com o estudo do seu catecismo, com a leitura dos bons livros dos quais é um grande amante, com a assiduidade das instruções paroquiais Tommaso tornou-se capaz de responder a diversas perguntas, e com facilidade e clareza resolver muitas dificuldades que o seu irmão, que muitas vezes calava a boca, o fazia corar. {4 [4]} No entanto, um dia no inverno passado, quando Henry levantou a discussão sobre a Igreja e sobre o próximo concílio ecumênico, ele ficou terrivelmente fora de proporção. Por um tempo, Tommaso conseguiu responder-lhe na mesma moeda; mas então, para seu desgosto, dominado por um mundo de perguntas nunca antes ouvidas e interrogatórios insidiosos, ele permaneceu enganado. Na noite daquele mesmo dia o bom rapaz, como uma ovelha necessitada de bom pasto, dirigiu-se ao querido reitor, com quem tiveram as seguintes conversas. {5 [5]}

 

Conversa I. Conselhos – Suas espécies; particular e geral - Diocesano, provincial e nacional - Condição para que um concílio seja considerado geral e legítimo - Quem pode convocar o concílio geral - Quem tem direito de participar e dar voto deliberativo - Concílios apostólicos - Utilidade dos concílios.

 

            Tomás. Boa noite, Sr. Reitor, vim fazer-lhe uma visita. Talvez eu lhe cause alguns problemas, mas sua bondade será capaz de ter pena de mim.

            Reitor. Bem-vindo, meu caro Tommaso; Que anjo já levou você até mim a esta hora?

            Tom. Ele é um anjo bom e acredito que seja meu guardião. eu vim {7 [7]} para pedir que você me conte algo sobre a Igreja e seus concílios. Todos querem falar do concílio que em breve será convocado pelo nosso santo padre Pio IX, e aparentemente nem todos falam bem dele, quero ter as ideias certas neste assunto, para que em cada evento ainda possa expressar a minha razão sem ser enganado como fui hoje.

            Prev. Com boa vontade, meu Masino, e faço-o de boa vontade, para que caso seja questionado possa responder a qualquer pessoa com a sua habitual franqueza.

            Tom. Certamente me trará um grande benefício.

            Prev. Sente-se então e pergunte-me o quanto você gosta, e farei o possível para satisfazê-lo da melhor maneira possível.

            Tom. Em primeiro lugar, gostaria de saber exactamente o que são os conselhos?

            Prev. Aqui está a resposta: os Concílios são reuniões de bispos católicos e {8 [8]} de outros eclesiásticos para decidir questões relativas à fé, costumes e disciplina da Igreja. Eles são de dois tipos, particulares e gerais ou ecumênicos.[1]. Outros são chamados diocesanos, outros provinciais, outros nacionais.

            Tom. Oh! Oh! quantos. Ele ainda não sabia que havia tantas espécies. Gostaria de saber a diferença entre um e outro.

            Prev. Ouvir. O conselho diocesano ou sínodo é a reunião dos párocos de uma diocese convocada e presidida pelo bispo da mesma. A assembleia provincial é a reunião dos bispos de uma província eclesiástica presidida pelo metropolita, ou seja, é a assembleia composta pelo arcebispo com as suas sufragâneas. Entre os quais são famosos os conselhos diocesanos e provinciais {9 [9]} aqueles detidos por s. Carlo Boromeo arcebispo de Milão. O conselho nacional é a reunião dos bispos de uma nação presidida pelo patriarca ou primaz. Muitas delas foram celebradas em Roma sob os papas, que além de serem pastores supremos de toda a Igreja, ainda são patriarcas do Ocidente e primazes da Itália. Finalmente, o concílio geral ou ecuménico é a reunião de todos os bispos do mundo católico, convocada pelo Romano Pontífice para decidir questões de fé, moralidade e disciplina sob a sua aprovação. Aqui está a diferença entre um e outro.

            Além disso, existe outra diferença entre o conselho geral e o particular, e é que o geral pode fazer leis obrigatórias para toda a Igreja e tem autoridade suprema e infalível no que diz respeito à fé, aos costumes e à disciplina. Pelo contrário, o conselho particular não pode estender as suas ordenações para além da diocese, província ou nação {10 [10]} que é celebrado e não goza de autoridade infalível em si.

            Tom. Estou feliz com esta notícia. Agora gostaria de saber quais são as condições necessárias para que um concílio seja chamado de ecumênico e legítimo.

            Prev. Para que um concílio seja chamado de ecumênico e legítimo, são necessárias quatro condições:

            1a Que seja convocado pelo Papa ou com o seu consentimento;

            2a Que, na medida do possível e a distância do local o permita, sejam convidados todos os bispos de todo o mundo católico;

            3a Que o Papa o preside pessoalmente ou através de seus legados;

            4a Que o Papa aprove e confirme o que ali foi estabelecido e decretado. Eu disse: na medida do possível, todos os bispos devem ser convidados, porque não é necessária a participação pessoal de todos, o que também seria impossível de conseguir por vários motivos. Então, mesmo que faltassem os bispos de uma província inteira {11 [11]} ou de várias nações, porém um concílio seria igualmente ecumênico e legítimo se o papa com sua autoridade suprema como tal o aprovasse e o propusesse aos fiéis.

            Tom. Mas é realmente necessário que o concílio geral seja convocado pelo papa? Para ser claro, só hoje ou ouvi dizer que antigamente os concílios eram convocados e presididos pelos imperadores.

            Prev. Meu caro Tomás, tenha em mente que só o Papa tem o direito de convocar um concílio ecuménico por direito divino, porque só ele, como professor e juiz de todos os cristãos, sabe se há necessidade de convocá-lo ou não. Este direito pertence apenas ao Papa, porque só como pastor dos pastores pode ele ordenar aos bispos do mundo inteiro que vão onde as necessidades da Igreja universal o exigem. Ao Papa e não aos outros Jesus disse na pessoa de Pedro: alimente meus cordeiros, alimente minhas ovelhas, ou seja, ele assumiu o cuidado de todo o rebanho; portanto, somente ao Papa {12 [12]} pertence por direito divino convocar um concílio geral, que visa precisamente o ensino, para o bem de todos os fiéis.

            Quanto aos imperadores e príncipes temporais, eles certamente não têm o direito de convocar conselhos gerais ou particulares. Na verdade, os concílios, como já vos disse, são celebrados por motivos religiosos, para decidir quais verdades devem ser acreditadas e praticadas pelos cristãos. Diante disso, sabemos que Jesus Cristo não confiou esta tarefa aos príncipes; Jesus não disse aos príncipes seculares: Vá, ensine todas as pessoas. Estas palavras o divino Redentor disse apenas aos apóstolos, que tinham como cabeça São Pedro o primeiro papa, e em sua pessoa as disse a todos os seus sucessores até o fim do mundo, isto é, enquanto houver homens para serem ensinados e salvos.

            Tom. Entendo que o direito de convocar concílios gerais e, portanto, de presidi-los pertence somente ao Papa; mas ela ainda não me contou {13 [13]} se é verdade ou não que nos tempos antigos os conselhos eram convocados pelos imperadores.

            Prev. Espere e você saberá disso também. Não é verdade que nos tempos antigos os concílios eram convocados pelos imperadores. Nos primeiros três séculos da Igreja, os imperadores pagãos, longe de convocar concílios para o bem da religião cristã, levaram a cabo contra ela perseguições sangrentas para destruí-la se fosse possível. Portanto, durante toda aquela época, isto é, desde o início da Igreja até Constantino, o Grande, o primeiro dos imperadores romanos que abraçou e professou a religião de Jesus Cristo, embora tenham sido celebrados cerca de quarenta concílios particulares, muitos dos quais eram muito numerosos, nenhum príncipe jamais pensou em interferir nisso. A questão resume-se, portanto, em saber se os imperadores cristãos convocaram e presidiram os concílios. Aqui, então, está como as coisas estão a esse respeito. Os imperadores cristãos iluminados pela verdadeira religião, sabendo ser eles {14 [14]} dever de utilizar os meios que a providência divina colocou em suas mãos para o bem material e espiritual, temporal e eterno de seus súditos; por outro lado, sabendo por experiência que os hereges com os seus erros perturbando a Igreja chegavam ao mesmo tempo a perturbar a tranquilidade do império, costumavam rezar aos papas que queriam reunir concílios com a sua autoridade apostólica, e assim prover melhor para o bem da Igreja e do Estado. O papa observou se uma reunião solene de bispos era realmente apropriada e, vendo a necessidade, ou a convocou ele mesmo, ou permitiu que o próprio imperador a convocasse em nome da Santa Sé, concedendo-lhe entretanto a faculdade apropriada. Os papas fizeram esta concessão tendo em vista os serviços materiais prestados à Igreja por aqueles príncipes piedosos, que então arcavam principalmente com as despesas das viagens dos bispos, providenciavam o seu alojamento e manutenção, trabalhando desta forma para vir em auxílio da Igreja. Isto {15 [15]} e nada mais que os imperadores cristãos às vezes faziam em relação à convocação de conselhos. Se algum príncipe quisesse arrogar-se tal autoridade, apesar do Papa, seria merecidamente condenado e considerado um usurpador dos direitos divinos. O grande Osios, bispo de Córdoba, na Espanha, incendiou assim o imperador Constâncio já no século IV, quando afirmou interferir nos concílios sagrados: «Não nos dê ordens neste tipo de coisas, disse-lhe ele, mas aprenda-as conosco: Deus confiou o império a você, o governo da Igreja a nós.»

            Tom. Agora estou satisfeito; mas se não há dúvida de que os príncipes seculares não têm o direito de convocar conselhos, parece-me pelo menos que têm o direito de participar neles. Estou certo?

            Prev. Não é esse o caso, querido Tommaso; os príncipes não têm o direito de convocar concílios, nem de presidi-los, nem de intervir neles, porque Jesus Cristo confiou o governo da sua Igreja aos pastores da mesma, e não aos soberanos {16 [16]} trovoadas. Somente aos pastores sagrados Jesus dirigiu estas palavras: «Ide, fazei discípulos de todas as nações, ensinando-os a observar todas as coisas que vos ordenei.[2].» Somente aos pastores sagrados s. Paulo dirige as seguintes palavras. «Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho, do qual o Espírito Santo vos constituiu bispos para governar a Igreja de Deus[3].»

            Tom. Mas ela, Sr. reitor, não pode negar que os príncipes frequentemente participavam dos concílios, e que no mesmo concílio de Trento participavam por meio de seus legados. Portanto... Por outro lado parece que têm alguma razão para intervir, uma vez que nos concílios são discutidos assuntos relativos aos seus assuntos.

            Prev. Não confundamos uma coisa com outra, meus queridos, porque uma coisa é intervir no concílio por direito, e outra é intervir por graça, por privilégio concedido pela Igreja aos justos. {17 [17]} razões, e também neste caso não para julgá-los e defini-los como bispos, mas para ajudar e dar proteção. No primeiro concílio geral, por exemplo. O imperador Constantino certamente interveio, mas não para sentar e definir qual bispo. Ele interveio para honrar e proteger a verdade, não para propor e decidir como juiz. Na verdade, ele próprio declarou publicamente que não tinha o direito de se envolver em questões religiosas; e para indicar a grande diferença entre ele e os bispos que compunham o concílio, longe de presidi-lo, queria sentar-se em um lugar inferior[4]. Ele também assinou, mas onde os bispos assinaram por definição, ele assinou por adesão e consentimento, oferecendo a ajuda de seu braço para fazer cumprir os decretos que o concílio havia formado. Os outros príncipes também fizeram o mesmo quando, com permissão da Santa Sé, intervieram nos concílios sagrados. {18 [18]} Concluo então: se às vezes os príncipes seculares estavam presentes nos concílios, não o eram por direito próprio, mas por privilégio; e além disso a sua intervenção nunca foi um acto de autoridade, mas um acto de devoção.

            Quanto à sua outra observação, é verdade que nessas reuniões sagradas são discutidas coisas que dizem respeito aos seus assuntos; mas por esta razão os príncipes ainda não têm o direito de participar neles. Neste caso todos os pais de família deveriam intervir; na verdade, todos os cristãos deveriam participar, porque nos concílios são discutidos assuntos que lhes dizem respeito; mas isso é um absurdo. Portanto, é verdade que os conselhos tratam de coisas que dizem respeito aos súditos do Estado; mas estas coisas dizem respeito ao bem espiritual, dizem respeito à moralidade, à religião, cuja administração está totalmente confiada ao chefe da Igreja e aos outros pastores sagrados. Por isso afirmo que, visto que a dignidade real, por maior que seja, não significa que um príncipe secular se torne um dos {19 [19]} aqueles pastores sagrados que Jesus Cristo colocou para governar sua Igreja; assim, todo príncipe permanecerá sempre incluído na Igreja discente, isto é, entre os simples fiéis, cujo dever não é ensinar, mas aprender e, portanto, nunca poderão reivindicar o direito de participar dos conselhos sagrados. Os príncipes, no que lhes diz respeito, devem fazer com que seus súditos observem os decretos e preceitos dos conselhos sagrados e, de acordo com estes, formar suas leis e regular sua conduta; esta é a sua responsabilidade, o seu dever; o resto não é.

            Tom. Está tudo bem; mas os príncipes não convidados para o concílio não poderiam impedir que seus bispos súditos fossem para lá?

            Prev. Não, senhor; nenhum homem no mundo deve impedir um bispo de cumprir os seus deveres para com Deus e para com a Igreja, que são os deveres dos bispos quando participam nos concílios; nenhum homem no mundo pode, em consciência, impedir um bispo de exercer um direito recebido de {20 [20]} Deus, e se ele fizesse isso estaria abusando de seu poder. Nos primeiros séculos, entre os príncipes que impediam a congregação dos bispos estava o imperador Licínio[5]. Mas você sabe quem ele era? Um perseguidor, um carrasco de cristãos.

            Tom. Mas não seria apropriado convidar príncipes católicos?

            Prev. Se esta conveniência existe ou não, cabe aos papas julgar. Por exemplo, o nosso santo padre Pio IX não achou por bem convidar nenhum príncipe para o concílio ecuménico que convocou este ano em Roma. Nisto o Papa tinha as suas razões e devemos venerá-las de todo o coração; No entanto, acredito que se os príncipes de hoje pedissem para serem recebidos no conselho como os bons príncipes de tempos passados, não receberiam rejeição.[6]. {21 [21]}

            Tom. Não posso deixar de concordar com ela. Agora gostaria de saber quais pessoas têm direito de participar dos conselhos e dar o seu voto.

            Prev. Vou apaziguá-lo brevemente. Todos os bispos católicos que têm jurisdição têm o direito, e até mesmo são obrigados, a participar no concílio, ou seja, todos os bispos que têm uma igreja, uma diocese para governar. Estes, portanto, pelo mesmo direito divino que os membros da Igreja docente e os professores comuns do povo cristão, têm um voto deliberativo, isto é, definitivo, no concílio como verdadeiros juízes. Pois é evidente na Sagrada Escritura {22 [22]} que apenas pastores e médicos receberam o cargo de determinar o que deveria ser crido e praticado pelo povo cristão. Agora, o Espírito Santo não tem lugar para atuar como pastores em sua Igreja, exceto os bispos: “Sustentem a si mesmos e a todo o rebanho, no qual o Espírito Santo os constituiu bispos para governarem a Igreja de Deus”. Portanto os bispos por direito divino e com sentença decisiva definem as coisas que são discutidas nos concílios.

            Por direito humano então, ou seja, por privilégio, os cardeais que não são bispos, como aqueles que compõem o maior senado da Igreja, também intervêm e auxiliam no voto deliberativo; os abades abençoaram solenemente e os generais das ordens religiosas.

            Quanto aos simples sacerdotes, costuma-se admitir aqueles que, pela sua doutrina, se considerem úteis para as investigações que devem ser realizadas, mas não para julgar, mas sim para disputar e esclarecer assuntos, ou para algum outro ministério útil; então {23 [23]} intervir não com voto deliberativo, mas apenas com voto consultivo. - Por fim, os príncipes, e mais frequentemente os seus embaixadores, costumam comparecer para honra e proteção, somente quando recebem um convite do Sumo Pontífice.

            Tom. Sr. Reitor, estas suas instruções realmente me esclarecem: eu realmente vejo luz entrando em minha mente. Então continue, e se não se importa, conte-me algo sobre o primeiro concílio que foi celebrado na Igreja. Gostaria muito de saber quando foi celebrado, por quem, por que motivo, etc.

            Prev. Terei prazer em entrar e falar-vos do primeiro concílio, que sempre foi considerado modelo para todos os concílios que foram posteriormente celebrados na Igreja. Mas antes de mais nada saiba que os concílios são de instituição divina tanto na lei antiga como na nova lei, quer dizer, foi Deus quem os instituiu. Os judeus tinham o seu Sinédrio, ou grande conselho, composto por setenta personagens, que tinham {24 [24]} a autoridade para interpretar a lei e estabelecer seu significado[7]. O próprio Deus ordenou a Moisés que estabelecesse este conselho. Ouça como Deus lhe falou: «Reúne-me setenta homens de Israel, conhecidos por ti como anciãos e mestres do povo, e tu os conduzirás à porta do Tabernáculo da Aliança, e os deixarás ali ficar contigo; e descerei e falarei contigo, e tomarei o teu espírito e o darei a eles, para que contigo possam levar o fardo do povo[8].» Jesus Cristo, o legislador supremo, que veio aperfeiçoar o que Moisés havia começado, estabeleceu também na sua Igreja um senado, que tem o direito de julgar em matéria de religião, um senado dotado de prerrogativas mais nobres que as de Moisés. Este senado ou conselho, composto primeiro pelos apóstolos com s. Pedro à frente, ainda existe, e existirá até o fim do mundo, formando o Papa, que é o legítimo sucessor de São Pedro, {25 [25]} e dos bispos católicos que são os legítimos sucessores dos Apóstolos. Este senado constitui a Igreja docente, assim chamada para distingui-la da Igreja aprendente ou aprendente, composta pelos restantes cristãos, cuja função não é ensinar, mas apenas aprender. Dito isto, aqui estou no primeiro concílio.

            Os apóstolos que conheciam plenamente as intenções de Jesus Cristo começaram desde sua época a celebrar concílios em assuntos de maior importância. Na verdade, três deles comemoraram. A primeira logo após a Ascensão de Jesus Cristo foi celebrada em Jerusalém no ano 33 com a participação de aproximadamente 120 discípulos e apóstolos. Lá o vigário de G. C., o pontífice s. Pedro exerceu o primeiro ato de jurisdição na eleição de s. Matias, substituído pelo traidor Judas Iscariotes. - A segunda também em Jerusalém e no mesmo ano foi celebrada por São Pedro com os demais apóstolos e discípulos para propor a eleição dos sete diáconos. - O terceiro {26 [26]} também foi detido na mesma cidade por s. Pedro com outros apóstolos e pastores da Igreja no ano 51 de Jesus Cristo.

            Tom. Desculpe, Sr. Reitor, se o interrompo. É claro que ela não carece de material. Ele me disse de antemão para falar comigo sobre apenas um conselho, e depois deixa escapar três sem me incomodar. Mas onde diabos podemos encontrar essas notícias?

            Prev. Estes três concílios apostólicos são claramente mencionados na Bíblia Sagrada, no livro intitulado: Atos dos Apóstolos. Mencionei os dois primeiros de passagem e apenas porque tive a oportunidade de falar com vocês sobre eles. Mas pretendo deter-me um pouco mais no terceiro, que é o mais solene e que é considerado por muitos como o primeiro ecuménico.

            Tom. Então me conte sobre esse último, já que não vejo hora de ter notícias completas sobre ele.

            Prev. Então aqui está: O ano 51 de J. C. Pedro por ordem do imperador Cláudio tendo sido de Roma {27 [27]} exilado junto com todos os demais que ali viviam, voltou para visitar a Igreja de Jerusalém. Enquanto ele estava nesta metrópole da Palestina, surgiu uma questão muito séria em Antioquia. Alguns judeus, seguindo a heresia de Cerinto, alegaram que o Messias tinha sido enviado apenas para o povo judeu, e que aqueles gentios que quisessem tornar-se cristãos tinham que começar por se tornarem judeus e observarem cerimónias legais, como a circuncisão, e outras. Os gentios, por outro lado, afirmavam o contrário e, convencidos de que a fé em J.C. animada pela caridade era suficiente para se salvarem, disseram que os ritos mosaicos não eram mais necessários e, portanto, não queriam observá-los. Entretanto, ocorrem graves divergências entre os cristãos dos dois povos; na verdade, ocorreu uma verdadeira sedição. Os apóstolos Paulo e Barnabé tentaram consertar as coisas, mas não foi possível. O que você faz nesta situação? Está decidido que Paulo e Barnabé vão a Jerusalém para consultar o chefe da Igreja sobre isso, e ter a {28 [28]} opinião. Pedro, tendo entendido o estado da questão, embora pudesse decidir por sua própria autoridade, achou melhor convocar para o conselho os outros apóstolos e pastores primários da Igreja que pudessem ser encontrados, e assim o fez. O conselho reuniu-se por ordem de Pedro, e o assunto foi diligentemente examinado e discutido pelos apóstolos e presbíteros. Por fim, Pedro se levanta no meio da assembleia e pronuncia sua sentença, e define que a observância da circuncisão não é mais necessária, e que tanto judeus como gentios podem obter a saúde eterna através da graça de Jesus Cristo. «Sabeis, disse ele, que me foi confiado pelo Senhor que o povo ouça a verdade da minha boca: bem, defino que para ser salvo basta a graça do N. S. G. C, e que não se deve impor aos discípulos um jugo, que nossos próprios pais lutaram para suportar.» Ao ouvir as palavras de Pedro, toda a multidão ficou em silêncio: tacuit omnis moltitudo. Ele ficou em silêncio em sinal de reverência, de assentimento, de submissão. {29 [29]} Ele ficou em silêncio, porque quando Pedro falou o assunto estava encerrado. Paulo e Barnabé confirmam a sentença de Pedro, assim como os demais apóstolos, inclusive São Tiago, bispo da cidade. Para obter o mais rapidamente possível a desejada união entre os dois povos judeu e gentio, ele propõe que durante algum tempo os cristãos provenientes do gentileísmo sejam ordenados a abster-se de comer coisas sacrificadas aos ídolos, de carne sufocada e de sangue, coisas extremamente abominadas pelos judeus. O julgamento de Pedro então de s. Todos gostaram de Giacomo confirmado; portanto, de comum acordo, o conselho decide eleger pessoas com autoridade para enviar a Antioquia com Paulo e Barnabé. As cartas são entregues a estes em nome do conselho[9], em que entre outras coisas se dizia que a decisão tomada pelo concílio deveria ser atribuída ao Espírito Santo: Parecia ao Espírito {30 [30]} Santo e para nós»: Visum est Spiritui Sancto et nobis[10].

            Aqui está o modelo, como ele já lhe disse, de todos os concílios da Igreja. Você vê neste conselho que as coisas que lhe expliquei até agora foram postas em prática. Você vê uma assembleia de pastores da Igreja, uma assembleia na qual os príncipes seculares não interferem em nada; uma assembleia convocada por ninguém menos que o Papa, presidida por ninguém menos que o Papa; uma assembleia, na qual os bispos, pastores da Igreja e mais ninguém são juízes; uma assembleia na qual, depois de ter examinado diligentemente a questão, o Papa pronuncia distintamente a sua sentença, que é acolhida com alegria em Jerusalém, em Antioquia, em toda a parte, como um oráculo infalível do Espírito Santo.

            Tom. Não consigo expressar em palavras a felicidade que sinto ao ouvir essas coisas. Mas, por Diógenes, por que não os colocaram no meu {31 [31]} catecismo, que eu já os teria lido e estudado?

            Prev. Meu querido, não é necessário que todos os cristãos estudem estas coisas. Basta que os sacerdotes, que são os professores do povo, os estudem. Vós então, quando tiverdes dúvidas ou questões de religião, podeis dirigir-vos aos sacerdotes e especialmente aos párocos, que são precisamente os ministros sagrados, destinados pela Providência divina a ensinar os fiéis cristãos na fé. Afinal, frequente a palavra de Deus, as instruções paroquiais, leia-as, ou sinta-se lendo bons livros e jornais católicos, e saberá o que é necessário. Ah! se todos os cristãos fizessem isso, certamente não se ouviriam tantas bobagens entre eles, nem seriam tão facilmente acreditadas em detrimento da fé. Mas voltemos à violação. Você não teria mais perguntas para me fazer sobre os conselhos?

            Tom. Nenhum? na verdade, muito. E antes de mais nada, você acredita que os conselhos são muito úteis? {32 [32]}

            Prev. Acredito que sejam muito úteis por vários motivos. Deus os ordenou; na verdade, Jesus Cristo garantiu-lhes uma assistência especial: «Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, disse ele, estou entre eles[11].» É necessário, portanto, acreditar que os conselhos são úteis, porque Deus não ordena, e Jesus Cristo não protege os inúteis. - Os Concílios são úteis, porque a Igreja desde os primeiros tempos, e os próprios apóstolos, os celebraram. Se os apóstolos e a Igreja primitiva tivessem acreditado que os concílios eram inúteis, certamente não se teriam submetido às perturbações, às penas e aos grandes inconvenientes que a celebração de um concílio particularmente geral traz sempre consigo, e em tempos passados, quando ainda não existiam as conveniências de viajar, como hoje. - Os Concílios são úteis, especialmente os ecuménicos porque, gozando do privilégio da infalibilidade, dão a conhecer com certeza {33 [33]} quaisquer que sejam a fé e a doutrina de Jesus Cristo, condenam mais solenemente os erros que lhe são contrários, preservam mais eficazmente os fiéis dos enganos e seduções dos hereges. - São úteis porque os bispos, dando conselhos em conjunto e dando a conhecer as necessidades dos fiéis confiados aos seus cuidados, podem ajudar-se mutuamente na formação de leis muito sábias, capazes de promover cada vez mais a glória de Deus, a santidade dos costumes, a saúde das almas. - São úteis porque servem para incutir nos corações daqueles que deles participam, que são os primeiros pastores da Igreja, um zelo mais ardente na pregação posterior, e para inculcar nos respectivos fiéis aquelas verdades e leis definidas e promulgadas por todos juntos. - Os conselhos são especialmente úteis nos nossos tempos, porque, além de colocarem uma barreira ao mal que irrompe de todos os lados, colocam também a admirável união e o {34 [34]} força de todo o episcopado tendo o Papa como chefe, mostrando-o como um exército destemido e formidável alinhado na batalha, e assim cooperam para tirar de suas cabeças a ideia maluca de nunca ser capaz de derrubar a Igreja de Jesus Cristo. Numa palavra, os conselhos são úteis para consolar os bons, iluminar os cegos, confortar os fracos, aterrorizar os tristes. -

            Tom. Com licença, Sr. Reitor; mas não poderia o Papa fazer sozinho tudo o que normalmente se faz num concílio, definir, condenar, fazer leis e assim por diante? Se sim, qual é a necessidade de conselhos?

            Prev. Quando digo que os concílios são úteis, na verdade muito úteis, não pretendo afirmar que sejam absolutamente necessários, isto é, não pretendo afirmar que a Igreja não possa prescindir deles. Certamente não há controvérsia de fé, moralidade ou disciplina, por mais obscura que seja, que não possa ser definida sem um concílio. Digo, portanto, que os conselhos são úteis para o {35 [35]} razões que eu te dei; na verdade, às vezes, tendo em conta circunstâncias graves, diz-se que podem até ser quase necessário, ma absolutamente necessário nunca. É necessário, portanto, distinguir necessidade de utilidade. Algo pode ser vantajoso e útil sem ser necessário. Diga-me um pouco: talvez seja vantajoso e útil viajar de vapor para chegar a um determinado país? Oh! sim, certamente. Mas talvez seja necessário? não, porque você pode chegar lá com igualdade e segurança viajando de carro ou a pé. A razão pela qual os concílios não são de absoluta necessidade é precisamente a que você mencionou, isto é, porque o papa, pastor supremo de todos os cristãos, só pode fazer por si mesmo tudo o que até um concílio geral pode fazer. Que o papa pode fazer isso sozinho fica claro nas Sagradas Escrituras. A partir disso fica claro que somente o papa recebeu a plenitude dos poderes de Jesus Cristo. «Eu lhe darei as chaves do {36 [36]} meu reino, disse-lhe o Senhor, e tudo o que você ligar e desligar na terra também será ligado e desligado no céu[12].» Jesus Cristo confiou ao Papa o cuidado de todo o rebanho: «Apascenta os meus cordeiros, disse-lhe, apascenta as minhas ovelhas.[13];» ed affinchè egli potesse ben compiere this sublime ufficio lo assicurò del dono d'infallibilità nei suoi insegnamenti: «Io ho pregato per te, affinchè non venga menos la tua fede[14].» Per la qual cosa quando insorgesse una questione di fede o di morale, e che il Papa credesse bene di definirla da sè senza congregare un concilio, egli non solamente ha diritto di farlo, ma la sua decisione dovrebbe essere rispettata quale un oracolo di Dio stesso, quale verità infallibile. Você entendeu?

            Tom. Ho capito tutto, signor prevosto, e ne la ringrazio infinitamente. Così fa piacere. Ella dice le cose {37 [37]} chiare e la si farebbe intendere anche da un bambolo. Altre cose avrei ancora da dimandarle a proposito dei concili; ma veggo che l'ora è già tarda, ed io voglio recarmi a casa, per non lasciare in pena le mia buona madre. Per altra parte, non vorrei poi anche stancare di troppo la pazienza del mio buon prevosto. Se lei è contenta ritornerò domani.

            Prev. Contento, anzi contentissimo, Masino caro; vieni pure e sarai soddisfatto.

            Tom. A rivederci dunque, signor prevosto. Buona sera e felice notte.

            Prev. Altrettanto a te, caro giovane, Dio ti accompagni. {38 [38]}

 

Conversa II. O papa é superior ao concílio. - O Papa é infalível em matéria de fé e de moral, mesmo só em si mesmo. - Nenhum papa jamais errou como papa. - Infalibilidade e autoridade do conselho. - Não se criam novos dogmas nos concílios. - As definições e leis de um concílio vinculam os cristãos em si. - Testemunhos não suspeitos a favor dos conselhos.

 

            Tom. Eccomi qua, signor prevosto. Sta sera voglio farla disperare.

            Prev. Io non mi dispero mai, e tanto meno con un giovane docile, come tu sei, il quale se per avventura può avere nella testa storte idee le abbandona tostochè per tali le conosce. Cominciamo adunque le nostre conversazioni sui concili.

            Tom. Anzitutto, signor prevosto, desidererei di sapere se il papa sia {39 [39]} superiore al concilio, oppure se il concilio sia superiore al papa.

            Prev. Ti rispondo distinguendo: Se il concilio o meglio se quello che fu stabilito nel concilio non è ancora confermato dal papa, in questo caso il papa rimane ancora sempre superiore al concilio stesso. Imperocchè è soltanto il papa che colla sua conferma comunica al concilio nelle cose di fede e di morale l'infallibilità e gli fa godere nella Chiesa un'autorità suprema. Perciò finchè questa approvazione non è data, il papa resta tuttora nella Chiesa l'autorità somma, superiore ad ogni altra. Se poi il concilio fosse già stato confermato dal papa allora alla tua domanda debbo rispondere, che in questo caso il concilio è superiore al papa nelle cose di fede e di morale. La cosa non può essere altrimenti, perchè dopo che il papa unendo il suo giudizio a quello dei vescovi dichiarò con voce infallibile che una data verità è rivelata da Dio, allora la voce del concilio si fa voce dello {40 [40]} stesso Spirito Santo; allora non è più lecito a nessun uomo del mondo il credere altrimenti, e quindi lo stesso sommo pontefice è obbligato a sottomettervisi. In questo caso però piuttostochè dire essere il papa inferiore al concilio, meglio si direbbe che il papa è inferiore a Dio, essendo la sentenza di un tale concilio sentenza di Dio stesso. Tuttavia nelle cose che non riguardano la fede, ma solo la disciplina, sebben stabilite da un concilio generale e confermate dal papa, tuttavia, dico, il Papa per questo lato rimane sempre superiore al concilio, e perciò può cangiarle, abrogarle, secondo i bisogni dei fedeli, e le circostanze dei tempi.

            Tom. Eu entendo. Ora un'altra dimanda ho da farle. Se in qualche questione di fede o di morale il papa ed i vescovi non andassero d'accordo, in questo caso il giudizio del solo Papa sarebbe egli da più che il giudizio di tutti i vescovi senza di lui?

            Prev. Ti fo notare primieramente che è impossibile ad accadere che in {41 [41]} controversia di fede o di morale tutti i vescovi del mondo o dispersi o raccolti siano discordi dal papa, oppure, ciò che è lo stesso, è impossibile a succedere che in sifatte questioni il giudizio del papa sia solo ed isolato, diverso da quello di tutti i vescovi. Un simile fatto non è ancora accaduto dacchè è la Chiesa, nè accadrà mai, perchè contrario alle promesse di Gesù Cristo. Il solo caso possibile e talvolta avvenuto si è quello di vedere il pontefice con un numero di vescovi da una parte, ed un numero di vescovi senza il pontefice dall'altra; ma il caso supposto nè avvenne, nè avverrà.

            Tom. Ma supposto che avvenisse, a quale delle due parti si darebbe la preferenza?

            Prev. Supposto che ciò avvenisse, ti dico chiaro e netto che ognuno dovrebbe dare la preferenza al papa, e al suo giudizio pienamente assoggettarsi. La ragione di questo è forte e incontrastabile. Imperocchè Gesù Cristo ha dato al papa sì grande autorità, {42 [42]} che egli nella Chiesa può fare da sè senza aver bisogno di dipendere da chicchesia; gli diede tali poteri che lo rendono da più che tutti i vescovi insieme. Difatto Gesù Cristo fra i dodici apostoli parlò a s. Pietro in particolare; lui solo e non altri costituì pietra fondamentale della sua Chiesa; a lui consegnò le chiavi del suo regno, come ad unico padrone di casa; diede a lui in particolare e separatamente dagli altri apostoli la potestà di sciogliere e de legare, cioè di perdonare o condannare, di comandare o proibire quanto e come avesse creduto meglio, assicurando ad un tempo che i suoi giudizi, i suoi atti sarebbero stati confermati in Cielo. On the left Pietro soltanto diede l'incarico di pascolare gli agnelli e le pecore, cioè i fedeli tutti non esclusi i pastori; lui solo munì del dono dell'infallibilità, dicendo che la sua fede non sarebbe venuta meno; e perciò ancora a lui solamente raccomandò di conservare e confermare nella medesima i suoi fratelli, confirma fratres {43 [43]} tuos. Tutti questi poteri e privilegi siccome sono stati da Gesù Cristo conceduti a s. Pietro per l'unità e solidità della sua Chiesa, pel bene di tutti i fedeli, così dovettero trasmettersi ai suoi successori, che sono i papi, e questa trasmissione da un papa all'altro deve farsi finchè duri la Chiesa stessa, finchè vi siano degli uomini da salvare, cioè fino alla fine del mondo. Laonde tu vedi che il papa anche da solo gode tale e tanta autorità da poter fare senza dipendere da alcuno; ciò che non può dirsi nè farsi non solamente da qualcuno de'vescovi, ma nemmeno da tutti riuniti insieme; e perciò ripeto che nel caso di disparità di giudizio tra i vescovi e il papa sì deve dare la preferenza al papa.

            Tom. Mi scusi, signor prevosto, ma questo mi pare un po'troppo, perchè in fin dei conti se i papi sono successori di Pietro, ed eredi perciò dei suoi poteri, i vescovi sono alla loro volta successori degli apostoli ed eredi pur anche dei loro diritti e prerogative. {44 [44]} Ciò posto, a me sembra di avere udito a dire che Gesù Cristo diede anche al collegio apostolico la potestà di sciogliere e di legare, e gli fece pur molte promesse. Promise per esempio che sarebbe sempre stato con loro; promise lo Spirito Santo, il quale avrebbe loro insegnato tutte le verità. Non è egli vero? Dunque si deve dire che in autorità se tutti i vescovi insieme non sono da più, sono almeno uguali al papa.

            Prev. Si, Gesù Cristo diede anche a ciascuno degli apostoli la potestà di sciogliere e di legare; fece pure al collegio apostolico, che rappresentava la Chiesa insegnante, delle grandi promesse; ma ciò non ostante non si può dedurre che i vescovi successori degli apostoli siano superiori od eguali al papa. Per ben comprendere questo bisogna badare a queste quattro cose:

            1° Gesù Cristo non diede agli altri apostoli la facoltà di sciogliere e di legare se non quando l'ebbe già conferita separatamente e con pienezza al solo Pietro, e ciò per indicare {45 [45]} che per l'unità della Chiesa il potere degli altri egli assoggettava a quello di Pietro.

            2° Quando Gesù Cristo diede tale potere agli altri, apostoli vi era pure s. Pietro, il quale perciò, oltre di avere ricevuto una speciale potestà quale capo supremo, ne ricevette pur un'altra comune a tutti, e per questa ragione Pietro fu papa e vescovo. Papa per la potestà ricevuta da sè solo come pastore di tutti; vescovo per quella ricevuta cogli altri apostoli.

            3° Le promesse che Gesù Cristo fece di sempre essere cogli altri apostoli sino alla fine del mondo, e l'assistenza e l'inspirazione dello Spirito Santo loro divinamente assicurate, riguardano tutto il collegio apostolico, dal quale perciò non si può escludere s. Pietro, che n'è uno dei membri, anzi membro principale pei pieni poteri ricevuti da solo a preferenza di tutti gli altri apostoli. Vi ha di più: le promesse della divina assistenza e dell'infallibità sono fatte agli altri apostoli solo in quanto che essi sono {46 [46]} uniti a Pietro, già prima nominato capo e pastore universale. Difatto Gesù Cristo assicurò questa infallibilità prima al solo Pietro, e perchè? perchè si conoscesse che il papa era il mezzo col quale comunicavasi l'infallibilità alla Chiesa tutta.

            4o Il potere ricevuto dagli altri apostoli non toglie nè diminuisce punto nè poco il potere che Pietro ricevette individualmente; nè le promesse fatte agli altri distruggono quelle fatte a Pietro solo, poichè altrimenti si dovrebbe dire che Gesù Cristo contradisse a se stesso, fece e disfece, ciò che nemmeno immaginare si può in un Uomo-Dio. Capisci questo?

            Tom. Fin qui capisco; ma che cosa vuole ella dedurre da tutto ciò?

            Prev. Voglio dedurre che siccome gl'apostoli sebbene uniti d'ampio potere, tuttavia uno per uno non potevano vantarsi di avere nè maggiore, nè eguale autorità di Pietro, così ciascuno dei vescovi loro successori non può dire di godere nè maggiore autorità del papa; voglio dedurre che {47 [47]} siccome gli apostoli presi anche tutti insieme, ma senza di Pietro, non potevano dire di formare il collegio apostolico, ossia il corpo insegnante, da Gesù Cristo protetto, dallo Spirito Santo assistito ed inspirato, così nemmeno tutti i vescovi insieme, ma senza il papa, possono dire di formare la Chiesa insegnante, da Gesù Cristo e dallo Spirito Santo assistita ed inspirata; voglio dedurre che nel caso impossibile che tutti i vescovi da una parte, e il papa solo dall'altra dessero in materia di fede e di morale un giudizio diverso, si dovrebbe da tutti i cristiani dare la preferenza al giudizio del papa, e a lui colla mente e col cuore sottomettersi. Perciò anche tutti i vescovi insieme non sono nella potestà nè superiori, nè eguali al papa, della Chiesa tutta unico capo supremo e sommo pastore.

            Tom. Ma in questo caso potremmo noi essere ben sicuri che la verità stia dalla parte del papa? Non si potrebbe egli temere che non i vescovi, ma il papa sbagliasse? {48 [48]}

            Prev. Noi potremmo essere sicurissimi che la verità starebbe dalla parte del papa, perchè è bensi possibile che sbaglino i vescovi quando non sono col papa uniti, ma è impossibilissimo che nelle cose di fede o di morale sbagli il papa quantunque da solo. Le parole di Gesù Cristo non possono mancare perchè parole di un Dio. Or Gesù Cristo disse a s. Pietro e nella sua persona disse a tutti i suoi successori nella sede di Roma: «Tu sei Pietro, e sopra questa pietra io fabbricherò la mia Chiesa, e le porte dell'inferno non la potranno vincere[15].» Intendi? Le porte, ossia le potenze, le forze dell'inferno, fra le quali tiene il primo posto l'errore e la menzogna, non potranno giammai prevalere contro la Chiesa; ma perchè? perchè fondata sopra del papa. Ma se il papa sbagliasse in cose di fede allora sarebbe come se mancasse il fondamento, e {49 [49]} perciò cadrebbe l'edifizio, ossia cadrebbe la Chiesa istessa, la quale in queste caso superata, si dovrebbe dire vinta dalle porte infernali. Ora è egli ciò possibile dopo le solenni promesse di Gesù Cristo? No di certo. È adunque impossibile che il papa in materia di fede insegni l'errore, come è impossibile che Gesù Cristo mentisca, o sia incapace a mantenere le sue promesse.

            In oltre Gesù Cristo stabilì il papa quale supremo pastore della Chiesa, affidando alla sua cura gli agnelli e le pecore: «Pascola i miei agnelli, gli disse, pascola le mie pecore,» cioè istruisci, ammaestra gli uni e gli altri. Ora se il papa in materia di dottrina o per ignoranza o per malizia sbagliasse, allora condurrebbe gli agnelli e le pecore a pascoli nocivi, a pascoli che invece della vita darebbero loro la morte. Ma può egli supporsi che Gesù Cristo, il quale per le sue pecorelle, ossia per le sue anime diede il sangue e la vita, abbia loro stabilito un pastore che potesse porle {50 [50]} a tal perigo? Certamente não, porque isso é contrário à bondade de Jesus Cristo e ao objetivo que ele se propôs ao dar plenos poderes a apenas um; objetivo que era manter a unidade dos seus discípulos, para proporcionar maior segurança à saúde de todos. Portanto, devemos necessariamente admitir que Jesus Cristo, com a plenitude dos seus poderes, também deu ao Papa o dom da infalibilidade, e isto tanto para tirar dele toda a ansiedade no medo de poder errar, como para excitar todos os homens, os próprios pagãos, os hereges, todos os fiéis a deixarem-se guiar por ele com plena confiança no caminho da salvação, a obedecê-lo prontamente, e assim formar aquela unidade admirável que ele pediu para todos na última ceia com estas palavras divinas: «Que todos sejam um, como tu estão em mim, Pai, e eu em ti, para que também eles sejam um em nós, para que o mundo acredite que tu me enviaste. Nem rezo apenas por estes, mas {51 [51]} também para aqueles que acreditam em mim através da sua palavra[16].»

            Esta infalibilidade doutrinal concedida ao Papa aparece ainda mais claramente nas palavras que Jesus dirigiu a Pedro quando lhe ordenou que confirmasse na fé os outros apóstolos, seus irmãos: «Simão, Simão, Jesus Cristo disse-lhe: eis que Satanás te procura para te peneirar, como quem faz o trigo; mas eu orei por você, para que sua fé não desfaleça[17].» Portanto, assim como é impossível que a oração de Jesus Cristo não tenha sido atendida, também é impossível que a fé de Pedro e de seus sucessores falhe por ensinar o erro. Dizemos, portanto, que o papa é infalível por três razões especiais:

            1º Porque é pietra fondamentale da Igreja, que nunca pode ser derrotada nem acabada: et portae inferi non praevalebunt, então Jesus {52 [52]} Cristo; e o anjo já tinha dito a Maria: «e o seu reino não terá fim; et regni eius non erit finis.»

            2° Ele é infalível porque foi estabelecido como juiz universal e mestre de todos os homens: Quodcumque ligaveris super terram erit ligatum et in coelis; pasce agnos meos, pasce oves meas. Se o Papa fosse falível, poderia pronunciar sentenças injustas, e isso não pode acontecer; se ele fosse falível, poderia ensinar o erro aos homens e, em vez de levá-los ao céu, arrastá-los para o inferno, e isso é um absurdo.

            3° O Papa é infalível porque Jesus Cristo rezou pela sua infalibilidade e porque lhe ordenou que ensinasse os próprios bispos, confirma fratres tuos. Se fosse falível teríamos que dizer que Jesus não foi ouvido, e isso é blasfêmia; se fosse falível, teríamos que dizer que Jesus colocou o papa em perigo de enganar os próprios pastores de almas, isto é horrível de dizer. Sendo assim, você vê, meu caro Tommaso, que no caso que você supõe que poderíamos ser {53 [53]} muita certeza de que seguindo o julgamento do Papa não estaríamos errados, porque a verdade estaria do lado dele, e não do lado de todos os bispos.

            Tom. Mas então você quer dizer que uma assembleia de bispos cultos e santos, só porque não estão unidos ao Papa, cai no erro? Para falar a verdade, este ainda não cabe em mim.

            Prev. Não quero dizer que tal assembleia, só porque está separada do Papa, caia em erro; Quero apenas afirmar que ele poderia cair nisso, e de fato deveria ser dito que caiu nisso, quando o seu julgamento em questões de fé fosse contrário à sentença do Romano Pontífice. Qualquer assembleia de bispos, por mais erudita e piedosa que seja, não pode atribuir a si mesma o dom da infalibilidade, porque este dom só foi prometido por Jesus Cristo à sua Igreja fundada e unida com Pedro, isto é, com o Papa. Portanto, mesmo que tal assembleia não cometesse realmente em erro nas suas decisões, ainda assim estaria sempre na possibilidade de cair nele, {54 [54]} porque sem cabeça visível não constituiria a Igreja fundada por Jesus Cristo. Agora, mesmo a mera possibilidade de falhar gera o medo de ter falhado e, portanto, a desconfiança nos fiéis, que já não teriam a certeza de acreditar na verdade e não no erro. Mas tal medo, tal desconfiança pelas razões acima mencionadas não podem ser tidos em acreditar na palavra do Papa, quer ele esteja unido aos bispos ou apenas ele.

            Tom. Mas ao dizer isto, não estará ele cometendo uma injustiça com todo o episcopado?

            Prev. Não, porque esta é a verdade pura, e dizer a verdade nunca faz mal a ninguém; na verdade, deveis saber que os bispos sempre se vangloriaram e ainda se orgulham de proclamar a infalibilidade do Papa e sempre acreditaram que, para desfrutarem de tal privilégio, precisam de estar unidos a ele e de conformar os seus julgamentos ao seu julgamento. Os bispos sabem que o Papa recebeu a ordem de apascentar e governar as ovelhas e de confirmar os seus irmãos, {55 [55]} que são iguais. O episcopado sabe que sem o Papa é como um corpo sem cabeça; sabe que sem o Papa a Igreja não pode ser constituída, com a qual Jesus Cristo disse que estaria presente até o fim do mundo assistido, inspirado pelo Espírito Santo. Tendo Jesus Cristo colocado o Papa como pedra fundamental da Igreja, os bispos sabem, portanto, que sem ele apenas formariam uma casa sem alicerces, uma casa que poderia arruinar a qualquer momento e esmagar aqueles que ali se encontram. Os bispos sabem o que São disse. Ambrósio que «existe a Igreja onde está o Papa, ubi Petrus ibi Ecclesia[18];» eles sabem o que foi dito. Jerônimo desde o século IV escrevendo ao Papa São Dâmaso: «Estou unido a Vossa Santidade, isto é, à Cátedra de São Pedro: sei que a Igreja foi construída sobre esta rocha: quem não se reúne convosco, {56 [56]} dispersão[19].» Os bispos sabem que os Padres do Concílio Niceno rezaram ao Papa São Silvestre, que teve o prazer de confirmar o que haviam estabelecido; eles sabem que os seiscentos bispos reunidos em Calcedônia na carta sinódica que escreveram ao Papa São Leão o chamam de sucessor de Pedro e de seu líder, rezando para que ele confirme seu julgamento com seus decretos. Ainda hoje os bispos conhecem plenamente estas coisas e outras, e por isso sempre acreditaram e ainda acreditam que toda a sua honra, a sua força, a sua infalibilidade lhes é comunicada pelo Papa, e ao dizerem isto têm orgulho disso. Uma boa prova disso foi dada ao governante Pio IX em Roma, em 1867, por cerca de quinhentos bispos, por ocasião do centenário de São Pedro. Um dia estavam todos reunidos numa grande capela, quando viram o Papa se apresentar, todos de repente dobraram os joelhos e repetiram em uma só voz {57 [57]} Tu es Petrus, ou seja: Você, que vem até nós, representa a pessoa de s. Pedro, seu sucessor no governo da Igreja universal, com a mesma autoridade para desligar e ligar, para governar e ensinar com uma palavra infalível igual à do Príncipe dos apóstolos; poder e dom que recebeu de Jesus Cristo e que será transmitido aos seus sucessores até ao fim do mundo. Os bispos e o Papa foram às lágrimas ao ver este espetáculo religioso.

            Tom. Suas razões ressoaram em mim. Mas é uma verdade de fé que o Papa, mesmo quando define sozinho, é infalível?

            Prev. É uma verdade de fé que a Igreja docente, isto é, os bispos unidos ao Papa nas decisões relativas à religião e aos costumes, são infalíveis. É também uma verdade de fé que o Papa é o sucessor de São Pedro, o vigário de Jesus Cristo, o chefe visível de toda a Igreja, o mestre e pai de todos os cristãos, e que para ele na pessoa {58 [58]} de Pedro recebeu do N. S. G. C. plenos poderes para pastorear, governar e governar a Igreja universal. Foi assim que o concílio geral de Florença definiu o ano de 1439 e, portanto, qualquer um que negasse pelo menos uma destas verdades seria um herege.

            Quanto à infalibilidade doutrinária do Romano Pontífice, esta, embora certa e muito certa, ainda não foi declarada dogma de fé; e espera-se, e fazem-se votos ardentes de todos os bons católicos, que isto seja definido no próximo concílio ecuménico, para que, para glória de Deus e da sua Igreja, para segurança e consolação dos bons, a venerável testa do sucessor de Pedro seja adornada com uma nova e mais bela jóia[20]. {59 [59]}

            Tom. Mas por favor, Sr. Reitor, talvez nunca tenha acontecido que algum Papa tenha... Acho que ouvi dizer que alguém está...

            Prev. Que algum Papa tenha... que algum Papa seja... mas vamos lá, diga tudo; Não entendo você.

            Tom. Adivinhe e conte.

            Prev. Quer dizer que algum Papa cometeu erros em questões de fé? que alguém cometeu um erro?

            Tom. Precisamente; ele realmente acertou. Não me atrevi a dizer tudo, porque pelo grande respeito que tenho pelo Sumo Pontífice, achei repugnante pronunciar estas palavras. {60 [60]}

            Prev. Muito bem, Tomás; Por esta sua moderação, sei verdadeiramente que você tem um coração cheio de sentimentos católicos. Portanto, tenham bom ânimo, pois posso dizer-vos que nenhum papa como papa, isto é, quando fala, como dizem, ex cathedra, como professor de cristãos, sem papa, digo, de s. Pedro, até o reinado de Pio IX, nem por ignorância nem por maldade, jamais ensinou o menor erro; e nós, católicos, temos tanta certeza disso que desafiamos todos os inimigos da infalibilidade a nos trazerem pelo menos uma única evidência em contrário. É verdade que no passado algumas pessoas malévolas, a partir de algum facto obscuro ou estado deliberadamente obscurecido, alegaram inferir que alguns papas, como Libério, Honório, tinham errado em questões de fé; mas a partir do progresso da ciência, da paciência das mentes eruditas, a verdade foi mais tarde trazida à luz com clareza, e hoje qualquer um que afirme o contrário pareceria ser ignorante ou malicioso.

            Tom. Isso me consola; mas pode-se igualmente negar que alguns {61 [61]} Os papas não eram muito bons? Com uma vida nada exemplar, como conciliar a infalibilidade?

            Prev. Meu caro, não vamos confundir uma coisa com a outra. Jesus Cristo ainda não prometeu ao seu vigário a impecabilidade, ou seja, já não disse que não poderia pecar, mas que jamais enganaria em matéria de fé e de moral ensinando falsidades ou ensinos ilícitos. Dito isto, digo que embora alguns papas possam ter pecado nas suas vidas privadas, gostaria rapidamente de salientar que o seu número é muito limitado. Os inimigos da nossa religião são apenas oito a dez. Mas o que são oito ou dez no longo catálogo de 260 pontífices, ao longo de dezoito ou mais séculos? E note que entre os papas há mais de oitenta contados entre os mártires e santos; e mesmo os menos dignos foram colocados no trono papal através das intrigas de facções, ou através da violência de alguns príncipes, que não deixaram livre a eleição do pontífice romano. {62 [62]}

            - A segunda coisa que quero salientar é que nenhum desses poucos cometeu o menor erro nas definições sobre fé e moral. Portanto, a vida censurável que se quer atribuir a alguns, em vez de provar contra a infalibilidade doutrinal do Papa, é antes uma prova muito luminosa a favor da mesma; é uma prova clara de que Jesus Cristo sempre cumpriu a sua palavra e a cumprirá independentemente do seu vigário. Para que o passado seja o nosso fiador do futuro, e nós, confiantes nas promessas divinas, possamos agora proclamar em voz alta que, enquanto durar a Igreja, Jesus Cristo nunca permitirá que o pastor supremo proponha ou indique às ovelhas pastagens nocivas ou envenenadas, que seriam os erros em termos de fé ou de moralidade propostos aos cristãos.

            Tom. Deo gratias! Agora estou feliz. L'Garanto a você, Sr. reitor, que suas palavras duplicaram a estima que já tinha pelo sumo pontífice. {63 [63]} Ah! sim, no futuro ainda estarei pronto não só para acreditar na infalibilidade do Papa, mas para defendê-la com palavras e atos e, se necessário, até com a minha própria vida. Gostaria agora que regressássemos ao nosso concelho, do qual, na verdade, nos distanciamos um pouco, deixando-o para trás. Então diga-me: quando um concílio geral pode ser considerado infalível?

            Prev. Do que disse acima você pode facilmente deduzir que um concílio geral é infalível quando, em conjunto e sob a aprovação do papa, define que esta ou aquela outra verdade é revelada por Deus, ou declara que esta ou aquela outra ação é lícita ou ilícita, conforme ou repugnante à lei eterna de Deus. A partir de tais definições essas verdades são elevadas ao nível de verdades de fé, isto é, declaradas incluídas na revelação divina, e a sentença do concílio assim confirmada pelo papa é considerada como uma sentença do Espírito Santo, e é uma sentença infalível. Para {64 [64]} exemplo: surge uma dúvida. Alguns dizem que negar a obediência, ou melhor, rebelar-se contra princípios legítimos, é permitido; os outros afirmam o oposto. Um concílio é convocado e os bispos, sob a presidência do Papa e com a sua aprovação, resolvem a dúvida e declaram que rebelar-se contra princípios legítimos é uma ação contrária à lei divina, e uma ação má e perversa. Tal julgamento é infalível e, portanto, parecerá ser a verdade revelada por Deus, que se deve estar sujeito a princípios e obedecê-los em tudo que não seja pecaminoso.

            Tom. Mas se as definições dos concílios ecuménicos são infalíveis, devemos dizer que podem formar novos dogmas, aumentar o número de verdades de fé. Neste caso, nossa posteridade estará fresca. Antes do fim do mundo, os cristãos serão obrigados a acreditar num número infinito de verdades de fé, um número que crescerá gradualmente à medida que os Papas e os Concílios derem definições.

            Prev. Ah! ah! garoto, você me faz rir. É claro que você ainda não tem as ideias certas sobre isso. Saibam, portanto, que os concílios com as suas definições não criam verdades de fé; mas apenas declaram aqueles que já foram revelados por Deus, colocando-os sob uma bela luz e além de qualquer controvérsia; isto é, declaram se esta ou aquela outra verdade, ainda negada ou posta em dúvida, foi revelada por Deus, quer se encontre na Sagrada Escritura ou na Tradição divina, ou não; e se se trata de uma questão de moralidade, os concílios declaram, de acordo com os princípios da lei divina e eterna, se uma ação é lícita ou ilícita. Explicar-me-ei melhor com um acontecimento solene ocorrido nos nossos tempos. Em 1854, no dia 8 de dezembro, vocês sabem que foi definida a Imaculada Conceição de Maria, nossa Mãe celeste. Mas antes desta solene definição esta verdade já se encontrava na Igreja, e já era crida pelos cristãos com transporte de alegria; na verdade, a festa da Imaculada Conceição já estava instituída há vários séculos {66 [66]} Conceição, em vários países já haviam sido erigidas empresas em honra de Maria Imaculada, e universidades inteiras juraram acreditar, professar, defender esta doutrina embora a Santa Igreja ainda deixasse a liberdade de acreditar ou não acreditar. Então, o que fez o Papa Pio IX rodeado por alguns dos bispos do mundo? Ele não criou uma nova verdade de fé, não fez um acréscimo ao depósito de verdades já reveladas, mas apenas declarou que a doutrina que sustenta que a grande Mãe de Deus foi preservada imune à mancha original, é uma doutrina revelada por Deus, e ao mesmo tempo ordenou que a partir de então todo cristão como tal deveria acreditar e professá-la. Ouçam as palavras do decreto desta definição e compreenderão cada vez melhor como a Santa Igreja com as suas definições não cria novos dogmas, mas apenas destaca aquelas verdades que já foram reveladas por Deus. «Com a autoridade do N. S. G. C, então o Papa, dos bem-aventurados apóstolos {67 [67]} Pedro e Paulo, e com nossa autoridade, declaramos, pronunciamos, definimos que a doutrina (cuidado! Tomé), que sustenta que a Bem-Aventurada Virgem Maria, desde o primeiro momento de sua concepção, foi por graça e privilégio singular de Deus todo-poderoso, em vista dos méritos de Jesus Cristo Salvador da raça humana, preservada de toda mancha de culpa original, é doutrina revelada de Deus e, portanto, para ser acreditado firme e consistentemente por todos os fiéis...» Você entende?

            Tom. Sim, muito bem; Entendi que nos concílios não são feitos novos acréscimos ao Apocalipse; Também compreendi e estava convencido de que os concílios devem ser infalíveis. Na verdade, ouçam, se bem digo: Visto que Jesus Cristo prometeu sua assistência divina à Igreja docente, e disse que o Espírito Santo lhe sugeriria todas as verdades, para que ela não pudesse errar em seus ensinamentos; e como os bispos se uniram ao Papa, isto é, num concílio geral, constitui precisamente {68 [68]} esta Igreja docente, segue-se necessariamente que as decisões de tal concílio devem ser infalíveis, e as verdades que ele propõe verdades de Deus, pois não pode faltar a palavra de Jesus Cristo: Coelum et terra transibunt, verba autem mea non praeteribunt.

            Prev. Bravo! Parece que você estudou latim; mas a propósito, você poderia me dizer o significado dessas palavras?

            Tom. Sr. Reitor, você duvida da minha capacidade? Então ouça se eu não as traduzir bem: “O céu e a terra falharão, mas as minhas palavras não falharão”.

            Prev. Excelentemente, e me alegro com você. Sim, o céu e a terra passarão, mas nem o Papa nem um concílio ecuménico jamais virão ensinar um erro. Esta é uma verdade que Jesus Cristo queria fortalecida por todos os lados. Jesus nos fala sobre o fundamento sobre o qual ele deseja que sua Igreja seja estabelecida? Bem, ele nos diz qual é a sua base {69 [69]} uma rocha, uma pedra, uma montanha inabalável; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja: Super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam. Ele fala dos inimigos que o atacarão por todos os lados? E imediatamente anuncia que nem com astúcia, nem com violência, nem com ciência, nem com ignorância conseguirão prevalecer contra ela: Portae inferi non praevalebunt adversus eam. Se fala da ajuda que apoiará a sua Igreja, diz-nos que «estará presente com ela todos os dias até ao fim do mundo» e acrescenta que ela terá como alma o Espírito Santo, que lhe ensinará todas as verdades: Docebit vos omnem veritatem. Quando descreve a constância imóvel desta Igreja nas suas verdadeiras doutrinas, faz com que o seu apóstolo Paulo nos diga que esta Igreja «é o templo do Deus vivo, a coluna e amparo da verdade: templum Dei vivi, columna et firmamentum veritatis. Se ela quer colocar diante de nós a beleza que nela brilha, justamente porque sempre {70 [70]} imune a erros, ele nos diz que “é sem mancha ou ruga de qualquer espécie, mas completamente lindo e imaculado”. Em suma, pode-se dizer que na Sagrada Escritura não há verdade mais solidamente comprovada do que a infalibilidade da Igreja de Jesus Cristo. Dito isto, digo: se a Igreja foi fundada por Jesus Cristo de tal maneira que nunca pode falhar, e se um concílio ecuménico presidido e confirmado pelo Papa é precisamente esta Igreja docente; portanto é necessário concluir que tal concílio é infalível, porque como bem disseste: “Faltarão o céu e a terra, mas não a palavra de Jesus Cristo”. Enquanto isso, vejam que doce consolo para nós, católicos! Saber com certeza que aquilo que acreditamos e ouvimos do Papa ou da Igreja é verdadeiro como o próprio Deus é verdadeiro. Oh! Agradeçamos a este bom Deus por nos ter feito nascer nesta Igreja e mostremos-nos sempre filhos submissos e obedientes.

            Tom. Sr. Reitor, ainda gostaria que me dissesse se estamos em {71 [71]} consciência estritamente obrigada a submeter-se às decisões e leis de um conselho; porque ouvi alguns dizerem que estes não são vinculativos a menos que tenham sido primeiro promulgados, ou aprovados, ou pelo menos consentidos pela autoridade civil.

            Prev. Você realmente ouviu alguns grandes! Pobre jovem! Se você não tivesse bons princípios religiosos, a essa altura já teria perdido a fé, como aconteceu com tantos jovens infelizes. Respondo-vos, portanto, que somos obrigados em consciência a submeter-nos às decisões de um conselho geral e às suas leis; para que qualquer um entre os cristãos que se recusasse a acreditar numa verdade revelada por Deus, que foi declarada como tal por um concílio ecuménico, se tornaria um herege; e qualquer um que recusasse a obediência às leis estabelecidas tornar-se-ia um cismático. Sim, somos obrigados a submeter-nos às definições e leis de um concílio geral, porque as definições e leis daquela Igreja, à qual Jesus Cristo nos ordenou obedecer, {72 [72]} e disse que se alguém negasse obediência a ela seria considerado gentio e cobrador de impostos, ou seja, membro que não pertencia mais a ela: Si Ecclesiam non audierit, sit tibi sicut ethnicus et publicanus[21]. Portanto, vemos que desde os tempos apostólicos os cristãos foram forçados a submeter-se às decisões e leis feitas pelo Concílio de Jerusalém. De facto, lemos que depois da celebração daquele concílio Paulo e Silas percorreram a Síria e a Cilícia «comandando (você entende? comandando, praecipiens) aos fiéis que observaram as ordens dos apóstolos e sacerdotes[22].» Esta obrigação de submeter-se à autoridade dos concílios gerais foi sempre tão universalmente admitida que, desde os primeiros séculos da Igreja, tal submissão foi usada como um sinal para distinguir os verdadeiros fiéis dos hereges; e ainda hoje aos protestantes que retornam {73 [73]} dentro da alta Igreja Católica, a questão é se eles acreditam e se submetem às decisões do Concílio de Trento.

            É então um erro monumental dizer que as leis da Igreja não obrigam conscientemente os fiéis de um Estado, exceto quando foram promulgadas, ou aprovadas ou consentidas pela autoridade civil. E para que você fique bem convencido disso, diga-me por favor; para que as leis e mandamentos de Deus obriguem os cristãos de um estado, será talvez necessário que essas leis e mandamentos sejam primeiro aprovados e consentidos pelo poder civil que os preside? Pode o poder civil, ao negar a sua aprovação, remover a força e a obrigação destas leis divinas? me diga, o que você acha?

            Tom. Parece que não; porque se tal condição fosse necessária, teria de ser dito que o poder civil, ao negar a sua aprovação aos dez mandamentos, poderia assim retirar-lhes o poder de obrigar, o que é absurdo. Deus não está {74 [74]} sujeito a nenhum; ele é o Senhor de tudo; ele é o mestre em ordenar e proibir o que quer, quando quer, onde quer e a quem quer, e às suas ordens todos os homens devem inclinar a cabeça e obedecer sem mais delongas.

            Prev. Isso mesmo, muito bem! Fico feliz em ver que você tem espírito e já aproveitou minhas instruções. Aplique sua resposta sensata ao nosso caso agora. A Igreja, quer esteja reunida em conselho ou dispersa pela terra, ocupa o lugar de Deus com os homens aqui embaixo; proíbe e ordena em seu nome e, auxiliada como é, por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo, sua voz é a voz do próprio Deus. Portanto, segue-se como consequência legítima que as suas leis, como as de Deus, assim que forem publicadas e conhecidas, vinculam todo cristão em consciência, sem necessidade de maior aprovação de ninguém. No caso de algum poder civil impedir pela força a observância das leis eclesiásticas, então, se a transgressão {75 [75]} destas leis não afeta o dogma ou os princípios morais, então, digo, os cristãos não podendo observá-las externamente, ou não podendo fazê-lo sem graves inconvenientes, seriam isentos desta obrigação pela Igreja, mãe benigna; mas, no entanto, será sempre verdade que estas leis não precisariam de qualquer outra aprovação para serem vinculativas na consciência e, portanto, assim que a violência cessasse, todo cristão se veria no dever de observá-las. Se então a violação destas leis afetasse a fé ou a moral, neste caso, se para observá-las fosse necessário encontrar a morte, seria necessário armar-se com a coragem dos apóstolos e dizer: «Você pode tirar a nossa vida, mas não a nossa fé.[23].»

            Tom. Sim, eu ainda faria a mesma coisa e me consideraria feliz.

            Prev. Até agora falei com você sobre infalibilidade, {76 [76]} da autoridade do conselho geral, do respeito e obediência que devemos às suas decisões. Contudo, antes de terminar esta nossa conversa, quero mostrar-vos que o que vos disse também é tido como verdadeiro pelos inimigos da Igreja Católica, isto é, por aqueles que por profissão deveriam ser contra os concílios e, em vez disso, elogiá-los.

            Tom. Oh! Bonito! Eu gostaria de ouvir o que eles dizem sobre isso. Os elogios dados pelos inimigos são muito preciosos.

            Prev. Então ouça. Lutero, líder do protestantismo, depois de ter desprezado os concílios da Igreja, foi então obrigado a fazer esta bela confissão a favor deles: «Se o mundo não desmorona em breve, vereis que dada a diversidade de interpretações da Bíblia, e no interesse da unidade religiosa, será necessário recorrermos mais uma vez aos decretos dos concílios[24].» - {77 [77]} Da mesma forma, Leibnitz, um dos protestantes mais eruditos e um grande filósofo, disse estas preciosas palavras: “Não há nada no mundo mais respeitável do que a decisão de um concílio verdadeiramente ecumênico”.

            Tom. Este homem fala tão bem disso que um católico não poderia fazer melhor. Mas por Baco! Eles poderiam muito bem ter ouvido a voz destes concílios, abraçado a sua fé e regressado ao coração da Igreja Católica; em vez disso... coitados!

            Prev. Eh! minha querida, ai de você se começar a fechar seu coração à graça de Deus! Foi isso que o erudito Leibnitz, entre outros, fez. Ele viu a verdade e seguiu o erro.

            Depois disso, um certo Hoffman ouve: «Os decretos dos concílios são considerados na Igreja Católica como inspirados pelo Espírito Santo, e as suas decisões como tantas verdades divinas.» - Outro, Molan, fala assim: «Quanto aos concílios ecuménicos, se Jesus Cristo está com a sua Igreja durante todos os séculos, nunca pôde permitir {78 [78]} que nestas assembleias foi uma decisão contrária à fé.» - Pierre Leroux escreve: «A tradição era incerta e os concílios explicaram-na; a ideia era duvidosa e os concílios a formularam; surgiram opiniões contraditórias e os conselhos escolheram a verdadeira. O cristianismo era apenas um germe e cresceu através de concílios. Os quais, compreendendo a Revelação, eram eles próprios reveladores. E isso é tão verdade que é geralmente conhecido e aceito que o Espírito Santo desceu pela boca dos concílios”.

            Tom. Muito bem! Disseram precisamente o que Vossa Excelência me explicou esta noite. Tudo bem; seus testemunhos são como queijo no macarrão. Agora estou satisfeito. Tenho outras coisas para lhe perguntar; mas isso pode ser suficiente para esta noite. Se o reitor estiver satisfeito, voltarei amanhã.

            Prev. Terei prazer em vê-lo novamente. {79 [79]}

 

Conversa III. Quantos conselhos gerais houve; breve menção a cada um.

 

            Tom. Sr. Reitor, já ouvi pessoas falarem várias vezes, ora sobre isso, ora sobre aquele outro conselho geral. Agora gostaria que você me desse informações breves, mas precisas sobre cada um deles.

            Prev. Já tinha decidido fazer isso, pois me pareceu agradável e útil.

            Tom. Então diga-me quantos concílios ecumênicos foram celebrados até agora.

            Prev. Existem várias opiniões entre os estudiosos sobre o número de concílios ecumênicos; mas o mais comum é aquele que admite dezenove, oito celebrados no Oriente, onze no Ocidente.

            Tom. Qual foi o primeiro, quem o chamou, o que foi estabelecido ali?

            Prev. Direi uma coisa após a outra, tanto sobre isso como sobre os outros.

            Eu. O primeiro conselho geral é {80 [80]} primeiro Niceno, assim chamado porque foi celebrado em Nicéia, cidade da Bitínia, na Ásia Menor, hoje chamada de Isnik, e quase reduzida a uma aldeia miserável. O concílio foi convocado pelo Papa São Silvestre, auxiliado pelo Imperador Constantino, o Grande. Foi comemorado especialmente para condenar os erros de um certo Ário, herege de Alexandria no Egito, que negou a divindade de Jesus Cristo, afirmando que o Verbo divino, ou seja, o Filho de Deus, não era igual ao Pai. O Papa presidiu este concílio através dos seus legados. Nunca houve uma reunião mais venerável do que esta. Os prelados que eram 318 eram figuras sagradas, ilustres pela sua doutrina e milagres, e muitos ainda traziam as cicatrizes das feridas recebidas pela sua fé nas últimas perseguições de Diocleciano e Licínio. O concílio foi inaugurado em 22 de maio do ano 325, e Constantino também compareceu com toda a pompa da majestade imperial. Nele eles foram solenemente {81 [81]} Erros de Ario condenados. Com argumentos muito convincentes, apoiados na Sagrada Escritura e na Tradição divina, foi declarado que Jesus Cristo na natureza divina é igual ao Pai, o próprio Deus verdadeiro, sendo com ele uma e a mesma substância. Este dogma foi expresso com a palavra Consubstancial, que era então o sinal distintivo dos católicos. Formou-se então uma solene profissão de fé, conhecida pelo nome de Credo Niceno. Os bispos excomungaram Ário e seus seguidores. Para evitar que os hereges perturbassem ainda mais a Igreja e o Estado, o imperador condenou Ário e todos os seus partidários à pena de exílio.

            Depois de algum tempo Ário, tendo fingido submeter-se às decisões do concílio, foi chamado de volta do exílio, mas não demorou muito para que fosse atingido pela justiça divina com uma morte terrível[25]. {82 [82]}

            Além dos erros de Ário, este primeiro concílio também condenou os dos Quartodecimanos, que disseram que a Páscoa deveria ser celebrada como os judeus no décimo quarto dia da lua de março, e em vez disso estabeleceu que esta solenidade deveria ser celebrada no primeiro domingo após o décimo quarto dia da lua de março, como ainda é praticado hoje.

            Tom. Agora conte-me algo sobre o segundo concílio ecumênico.

            II. Prev. O segundo concílio ecumênico é o primeiro de Constantinopla, assim chamado por ser o primeiro entre os ecumênicos celebrados na cidade de Constantinopla. A ocasião para este concílio foi a heresia de Macedônio, que por meio de engano tomou posse da sé de Constantinopla. Os arianos minaram a divindade do Verbo: este homem a do Espírito Santo. Teodósio, o Grande, era então imperador e o Papa governava a Igreja {83 [83]} pág. Dâmaso. Este erudito e santo pontífice, vendo a sua fé ameaçada, de acordo com o piedoso imperador, convocou um concílio em Constantinopla, para que os erros pudessem ser combatidos ali, onde se originaram. O concílio reuniu-se no mês de maio do ano 381, e compareceram 150 bispos, todos do Oriente. Os erros de Macedônio foram condenados, o Credo Niceno, ao qual foram acrescentadas as palavras relativas à divindade do Espírito Santo: Et in Spiritum Sanctum Dominum et vivificantem... qui cum Patre et Filio simul adoratur et conglorificatur, qui locutus est per prophetas[26]. Teodósio recebeu as decisões do concílio como vindas da boca do próprio Deus e promulgou uma lei para apoiar seus decretos. Se esta adunanza si stata composta soltante de vescovi orientali, tuttavia l'approvazione che il {84 [84]} papa le diede di poi fece riconosere questo concilio come il secondo ecumenico.

            Tom. Agora minha dica qual é o terceiro conselho geral.

            III. Prev. Il terzo concilio generale è l'efesino, così appellato perchè tenutosi in Efeso, città dell'Asia Minore, ora ridotta ad un meschino villaggio sotto ai Turchi. Questo concilio fu anche detto concilio di Maria per due ragioni. La prima perchè in esso si defini che Maria è veramente Madre di Dio; la seconda perchè fu tenuto in una chiesa dedicata a Maria. Fu Nestorio, vescovo di Costantinopoli, che co'suoi errori diede occasione di celebrare questo concilio l'anno 431. Codesto eresiarca sosteneva che in Gesù Cristo erano due persone, cioè due figliuoli, il figliuolo di Dio, ossia il Verbo, e il figliuolo dell'uomo, ossia il Cristo: e da questo primo errore ne deduceva un secondo, cioè che Maria Santissima non potevasi nè dovevasi punto chiamare madre di Dio, ma solamente madre di Gesù Cristo, non Deipara, ma {85 [85]} Christipara. Simili bestemmie scandalizzarono i Cristiani, e la prima volta che le udirono essi fuggirono di chiesa per non aver comunicazione con chi le aveva pronunziate. S. Cirillo, patriarca di Alessandria, venutone in cognizione, scrisse una lettera paterna a Nestorio, colla quale cercava di persuaderlo di desistere dall'empio errore: ma il superbo non solamente non si arrese, ma rispose al Santo con insolenza. Cirillo non si scoraggiò per questo, ma pieno di zelo per la fede, e di tenera divozione per Maria, scrisse al pontefice s. Celestino II, supplicandolo di provvedere a questi mali colla sua autorità suprema. Il pontefice si pose allora ad esaminare la questione, e trovata la dottrina di Nestorio erronea e affatto contraria a quella che la santa Chiesa aveva sempre insegnato, dapprima lo ammonì, poscia minacciò di scomunicarlo se non rientrava in sè stesso. Ma nulla valsero nè le preghiere nè le minaccie. Allora il santo Pontefice convocò un concilio generale in Efeso, e non potendolo presiedere in {86 [86]} persona, vi deputò fra gli altri lo zelante patriarca s. Cyril. Il concilio si aprì il 22 giugno, e i vescovi accorsi furono circa 200. Gli errori di Nestorio vennero condannati. Fu definito che in Gesù Cristo vi è una sola persona, che è la divina, e la Santissima Vergine con grande giubilo di tutti i fedeli venne solennemente proclamata vera Madre di Dio. In occasione di questo concilio fu pure composta la seconda parte dell'Ave Maria, onde porgere così ai fedeli un mezzo facile per onorare e professare la divina maternità di Maria.

            Nestorio che non volle arrendersi fu scomunicato, e l'imperatore Teodosio il giovane lo esiliò in Egitto. Ivi assalito da una terribile malattia, il suo corpo si risolse in marciume, e quella lingua colla quale aveva bestemmiato la Madre di Dio, imputridì, e gli fu ancora vivente rosicchiata e consumata dai vermi. Oggetto di maledizione e di terrore egli moriva disperato nell'anno 436, cinque anni appena dopo la sua condanna. {87 [87]}

            Tom. Caro signor prevosto, queste notizie dei concili mentre mi istruiscono, mi fanno anche concepire più alta stima di nostra santa Religione. Si vede che fin dai primi tempi la santa Chiesa credeva quello che crede adesso; e non appena uno sorgeva ad insegnare il contrario, tosto lo condannava. E poi, da volere a non volere, è giuocoforza riconoscere la mano di Dio nella punizione degli eretici. Povero Ario, povero Nestorio! Pare che Iddio anche visibilmente abbia voluto confermare il giudizio della sua Chiesa, e la condanna da lei lanciata contro i nemici della fede. Ma passiamo ad altro. Che cosa ella avrebbe da dirmi intorno al quarto concilio ecumenico?

            IV. Prev. Molte e belle cose. Una nuova eresia circa il medesimo tempo della precedente venne a travagliare la Chiesa. Un monaco di nome Eutiche ne fu l'autore. Era costui superiore di un monastero vicino a Costantinopoli, ed essendosi levato con ardente zelo a combattere l'eresia di Nestorio, cadde disgraziatamente nell'errore {88 [88]} contrario. Nestorio aveva insegnato che in Gesù Cristo vi sono due nature e due persone: Eutiche per lo contrario ammise bensi una persona sola, ma eziandio una sola natura. Egli fu avvisato di questo errore dal vescovo di Costantinopoli s. Flaviano, ma invece di arrendersi si ostinò vie maggiormente, e si occupò a propagare i suoi spropositi, procurando perfino in un conciliabolo che s. Flaviano fosse messo a morte. Ciò saputo il papa s. Leone I, accordossi coll’imperatore Marciano e coll'imperatrice Pulcheria, piissima donna, e col loro appoggio convocò un concilio nella città di Calcedonia, ora Scutari, nella Bitinia sulle sponde del Bosforo. Questo è il quarto concilio generale, detto calcedonese dalla città in cui venne tenuto. Si aprì nel principio di ottobre del 451, e v'intervennero 600 vescovi. Il papa Leone vi presiedette per mezzo de'suoi legati. Onde rendere il dovuto omaggio al sacro consesso e al pontefice che lo aveva ordinato, v'intervennero pure l'imperatore e l'imperatrice. Fin da {89 [89]} principio si lesse una lettera di s. Leone che condannava l'eresia di Eutiche. Questa lettera fu approvata ad una voce: Noi tutti crediamo così, esclamarono i vescovi, Pietro ha parlato per bocca di papa Leone: sia scomunicato chiunque non crede così. Fu perciò condannato Eutiche e deposto un certo Dioscoro che lo aveva sostenuto recando grandi afflizioni alla Chiesa. Fu allora definito che vi sono in Gesù Cristo due nature, la natura divina e la natura umana, distinte fra di loro ed unite nella stessa divina persona. Vi si fecero pure 26 canoni, ossia decreti riguardanti l'ecclesiastica disciplina.

            Quello che fu assai mirabile in questo concilio si fu la grande venerazione esternata da tutti i vescovi verso il sommo pontefice. Egli fu da loro chiamato l'arcivescovo universale, l'universale patriarca, l’interprete della voce del b. Pedro. Terminato poi il concilio, i vescovi mandarono a pregare s. Leone che volesse degnarsi di confermare colla sua autorità apostolica quanto essi avevano decretato. {90 [90]}

            Tom. Questo ultimo atto conferma quanto ella mi disse ierisera, cioè che i vescovi conoscono essi medesimi che le loro decisioni in materia di fede non possono considerarsi per infallibili se non sono prima approvate e confermate dal papa. Quella esclamazione poi dei 600 vescovi: Pietro ha parlato per bocca di Leone, è una bella prova che il papa è vero successore di s. Pedro. Ah! si, viva il papa, grido ancor io, viva il successor di s. Pietro, viva il vicario di Gesù Cristo. Ah! io l'amo tanto il papa: e vorrei farlo amare da tutto il mondo.

            Udirei ora volentieri a parlare del quinto concilio genarale.

            V. Prev. Il quinto concilio generale è il costantinopolitano secondo, così detto perchè è il secondo tra gli ecumenici celebrati in Costantinopoli. Fu convocato dal papa Vigilio per l'affare dei tre Capitoli, i quali servivano di pretesto ai Nestoriani per autorizzare i loro errori. Il primo di questi Capitoli riguardava gli scritti e la persona di Teodoro di Mopsuesta, dal {91 [91]} quale Nestorio aveva attinto la sua falsa dottrina; il secondo riguardava gli scritti di Teodoreto, vescovo di Ciro, contro di s. Cirillo; il terzo era una lettera d'Iba vescovo di Edessa ad un eretico di Persia di nome Mari, ancora essa infetta di nestorianesimo. Queste tre operette, dette i tre Capitoli, sebbene riprovevoli, non erano state condannate nel concilio di Calcedonia, e ciò solamente per rispetto ai loro autori, due dei quali, Teodoreto ed Iba, presenti al concilio, si erano potestati sinceramente cattolici. Questa indulgenza però e benignità usata dal concilio di Calcedonia veniva dai Nestoriani riguardata come una approvazione dei detti Capitoli, e perciò degli errori da loro professati; a qual cosa sebbene fosse ben lungi dal vero, dava tuttavia a questi eretici occasione ad ostinarsi nella loro perversa dottrina. Stando così le cose, onde togliere agli eretici ogni pretesto, fu celebrato il detto concilio, al quale per altro per cagione del prepotente imperatore Giustiniano non {92 [92]} poterono intervenire i vescovi dell'Occidente, motivo per cui Vigilio non vi volle prendere parte. Si presentarono quindi solo 165 vescovi quasi tutti orientali. In questo concilio vennero esaminati i tre capitoli, e condannati come contrari alla fede. Vennero pure nuovamente condannate le empie dottrine di Nestorio e di Eutiche, non che gli errori di Origene. - Sebbene questo concilio nella sua celebrazione non sia stato ecumenico, tuttavia avendolo poscia papa Vigilio approvato e confermato, per tale fu ricevuto in tutta la Chiesa. - Intanto ti fo qui notare come questo concilio ci porge una luminosa prova del diritto che ha sempre esercitato la Chiesa nel condannare gli scritti cattivi, nel pronunziare sul senso dei libri, e di esigere che i suoi figli si sottomettano al suo giudizio, come appunto venne fatto nel detto concilio.

            Tom. Mi piace questa ultima sua osservazione. Ella mi fa così rilevare una bella prova, che mi servirà a chiudere la bocca a quei ciarloni, i quali {93 [93]} come tanti ranocchi gracidano contro la Chiesa, perchè di quando in quando condanna libri cattivi. Se essa così faceva già fin dai primi tempi, e se per questo fine si radunavano sino dei concili, le si potrà forse negare ora un tale diritto? E por la ragione non ci conferma la medesima cosa? Dovrà un padre od una madre di famiglia permettere che un furfante metta il veleno nel cibo o nella bevanda dei loro figliuoli senza esecrarlo? Un pastore dovrà egli permettere che le sue pecorelle corrano a pascoli nocivi e mortali? Oibò! Se un padre od una madre così facessero si renderebbero gli assassini dei loro figliuoli; se un pastore così si regolasse col suo gregge si farebbe peggiore di un lupo rapace. - Ma questo solo di passaggio. Mi dia ora alcuni cenni del sesto concilio generale.

            VI. Anterior. Eccoli: Nel secolo settimo un'altra eresia, rampollo degli errori di Eutiche, venne a suscitarsi in Oriente, ed è quella dei Monoteliti: di coloro cioè che ammettevano in Gesù Cristo una sola volontà ed operazione. {94 [94]} I loro capi furono Ciro patriarca di Alessandria, Sergio e Pirro di Costantinopoli. Questi eretici dopo aver da prima cercato, ma indarno, di fare cadere nell'errore il papa Onorio, favoriti specialmente dall'imperatore Costante arrecavano molti danni alla Chiesa. Il papa s. Martino volendo mettere un argine alla diffusione di questi errori li condannò coraggiosamente. Pel che sdegnato l'Imperatore mandò a Roma un capitano affinchè uccidesse il papa e lo conducesse a lui in Costantinopoli. L'empio capitano giunto a Roma comanda ad un emissario che entri nel tempio di s. Marco, e mentre il pontefice celebra la s. Messa lo metta a morte. Ubbidisce il sicario, ma posto appena il piede sulla soglia della Chiesa d'improvviso diviene cieco. Tuttavia il papa è imprigionato, cacciato in esiglio nel Chersoneso, ove finiva i suoi giorni martire di Gesù Cristo. Poco tempo dopo Costante era ucciso da un servo mentre lo serviva in un bagno, ed ebbe a successore suo figlio Costantino, detto il Pogonato, principe {95 [95]} buono e sinceramente cattolico. Questi desideroso di riparare ai gravi mali da suo padre cagionati alla Chiesa scrisse al papa s. Agatone, il quale era succeduto a s. Martino nella sede di Roma, e lo pregò che volesse colla sua autorità suprema convocare un concilio nella città di Costantinopoli, promettendogli tutti gli appoggi e aiuti necessari. Il papa che altro non bramava convocò nell'anno 680 il sesto concilio ecumenico, terzo costantinopolitano. Fu aperto il 7 novembre dell'anno stesso. V'intervennero più di 160 vescovi, presieduti dai legati del papa. Dopo un'accurata disamina furono condannati gli errori dei Monoteliti, e definito che vi sono in Gesù Cristo due volontà e due operazioni, la volontà ed operazione divina, e la volontà ed operazione umana. Si scrisse poscia al papa tutto ciò che erasi fatto nel concilio, chiedendone l'approvazione e la conferma.

            Tom. Agora Sr. prevosto, mi faccia il piacere di parlarmi del settimo concilio ecumenico. {96 [96]}

            Prev. Volentieri ti parlo di questo concilio, perchè pare essersi celebrato contro gli eretici di oggidì.

            Tom. Tanto meglio; starò più attento.

            VII. Prev. Il demonio arrabbiato nel vedersi dalla Chiesa proscritte le sue infernali menzogne, non appena ne veniva condannata una, un'altra ne faceva sorgere a danno della Fede. Una di queste fu l'eresia degli Iconoclasti, cioè degli spezzatori delle sacre imagini. Dicevano costoro ciò che asseriscono ancora oggidì i protestanti, cioè che non si devono venerare le sante immagini e quindi non solo le disprezzavano, ma le stracciavano e le rompevano. Questa eresia produsse molti mali, perchè protetta e sostenuta dagli imperatori greci, Leone Isaurico, Costantino Copronimo e Leone IV, i quali per diffonderla vie maggiormente rinnovarono contro ai cristiani le crudeltà dei Neroni. Ma avendo cessato di vivere questi empii, colpiti dalla mano vendicatrice di Dio, salì sul trono l'imperatrice Irene. Questa pia principessa, {97 [97]} abbandonate le massime dei suoi antecessori, e desiderando di ristabilire il culto cattolico, pregò il papa Adriano I, che volesse convocare un concilio, onde l'eresia venisse solennemente condannata. Il pontefice vi accondiscese; il concilio fu raccolto in Nicea, e fu aperto nel settembre l'anno 786. Questo è il settimo concilio ecumenico e secondo niceno, perchè come il primo celebrato in Nicea. In questo concilio l'empietà degli Iconoclasti fu condannata da 350 vescovi presieduti dai legati del papa, e fu dichiarato essere pratica lecita e pia onorare le immagini di Gesù Cristo, della Vergine e dei Santi. Così i nostri protestanti possono vedere i loro errori condannati dalla Chiesa settecento anni prima che essi, nuovi iconoclasti, sorgessero a far rivivere quella vecchia eresia.

            Tom. A proposito, signor prevosto, che cosa dicono i protestanti sul conto di noi che veneriamo le immagini?

            Prev. Dicono che noi cattolici siamo come gli idolatri, e che adoriamo le immagini come Dio stesso. {98 [98]}

            Tom. Menzogneri! non è mica vero che noi le adoriamo. Noi le rispettiamo, le onoriamo, le veneriamo, perchè ci rappresentano persone degne della più grande venerazione ed amore. E qual è mai quel figlio di buon cuore, il quale non rispetti il ritratto del suo buon padre, della tenera madre, dell'amato fratello?

            Prev. Nota poi una incoerenza e stravaganza di cotesta gente. Costoro per fare dispetto alla Chiesa Cattolica ricusano di onorare le sante immagini e le reliquie dei santi, e poi sai tu che cosa onorano essi? Tienti dal ridere se puoi: onorano le lenzuola e il vaso da notte usato da Calvino!

            Tom. Ah! povera gente! come cadono al basso!

            Prev. Sono propriamente degni di compassione i protestanti, e i loro imitatori, e noi dobbiamo in questi di pregare molto per essi, affinchè nell'occasione del nuovo concilio aprano gli occhi alla luce della verità e facciano ritorno alla Chiesa cattolica loro antica madre. {99 [99]}

            Tom. Udiamo ora la storia dell'ottavo concilio generale.

            VIII. Prev. O oitavo concílio geral é o quarto de Constantinopla. Foi comemorado pela condenação de Fócio, usurpador da sé de Constantinopla e autor do cisma que ainda hoje separa a Igreja grega da latina. Este Fócio, homem de espírito engenhoso e maligno, ocupou pela primeira vez o cargo de primeiro escudeiro e primeiro secretário do imperador. Inchado por esta dignidade, pelas suas muitas riquezas e especialmente pela sua erudição profana, aspirava corajosamente a ser feito patriarca de Constantinopla. Para atingir seu objetivo, ele conseguiu, por meio de fraude, que o legítimo Patriarca Santo fosse deposto e enviado ao exílio pelo Imperador Miguel III. Inácio, e para ocupar rapidamente o assento, tendo abandonado as roupas seculares, no mesmo dia tornou-se monge, no dia seguinte leitor, no terceiro dia subdiácono, no quarto diácono, no quinto sacerdote, no sexto bispo e patriarca de Constantinopla. {100 [100]} Ainda não satisfeito com isso, ousou se passar por chefe da Igreja universal, como sucessor de Pedro, causando muitos males na Igreja de Jesus Cristo. Então o Papa Adriano II, de acordo com o imperador Basílio, que sucedeu Miguel, convocou o referido concílio a ser realizado em Constantinopla no ano de 869. O concílio foi inaugurado em 4 de outubro, e participaram 102 bispos presididos por legados papais. Fócio foi convocado para comparecer, mas sua consciência culpada não o permitiu, foi necessário trazê-lo até lá, apesar de tudo. Chegado ao concílio, questionado sobre a sua elevação e como tivera a audácia de se fazer passar por chefe de toda a Igreja, calou-se, dando algumas respostas insolentes. Então todo o concílio com os legados do Papa rejeitou o ímpio heresiarca e o excomungou; por ordem do imperador foi enviado ao exílio e retornou a Santo Inácio em sua primeira dignidade.

            Tom. Pelo que você me contou, podemos ver que a Igreja Católica sempre foi perturbada, primeiro pelos sangrentos {101 [101]} perseguições, seguidas de cismas e heresias. O que é mais surpreendente é que as heresias mais perigosas nasceram na sede de Constantinopla.

            Prev. Suas observações são excelentes. A Igreja aqui em baixo é justamente chamada de militante, porque está sempre em guerra com os inimigos da Fé. Mas é reconfortante ver que no meio de tantas batalhas ela nunca foi derrotada, que na verdade ela sempre triunfou sobre os seus inimigos, e ainda triunfa. Também é verdade que as heresias mais perversas nasceram na sé de Constantinopla. Esta sé nunca deixou de se opor à Igreja Romana, até que Deus, na sua justa indignação, a entregou ao poder dos turcos. Pelo contrário, observe, minha querida, quão gloriosa sempre pareceu a sede de Roma. Ao longo de muitos séculos ela nunca foi contaminada pelo menor erro. Sempre pura e imaculada, preservou o depósito da fé, e sempre se mostrou digna do príncipe dos apóstolos, que, depois de fundá-la, a santificou com seu suor e sangue. {102 [102]}

            Tom. Oh! Quanto me consola ser filho desta Igreja gloriosa. Oh! sim, também eu quero morrer na Igreja católica, apostólica, romana, e nada jamais poderá me separar do seu ventre. - Enquanto isso, Excelência, conte-me algo sobre o nono concílio ecumênico.

            IX. Prev. O nono concílio ecumênico é o primeiro a ser realizado no Ocidente. Foi celebrado em Roma, na Igreja conhecida como São João de Latrão, por isso é chamado de Primeiro de Latrão. Foi convocado pelo Papa Calisto II na Quaresma do ano de 1123, e contou com a presença de mais de 300 bispos e 600 abades, presididos pelo próprio Pontífice. O principal objetivo para o qual este conselho foi reunido foi negociar e confirmar a paz entre o sacerdócio e o império após as longas disputas sobre as chamadas investiduras. Os imperadores da Alemanha vinham há algum tempo fazendo reivindicações odiosas contra a Igreja, querendo interferir nos seus assuntos e eleger {103 [103]} especialmente aos bispos e abades, conferindo-lhes benefícios eclesiásticos, o que se chamava dar investiduras. Devido a esta usurpação de direitos, muitas vezes acontecia que certas pessoas com vidas completamente mundanas e indignas eram eleitas para dignidades eclesiásticas, e assim se formava um clero nada exemplar, para grande escândalo dos fiéis. Os Papas levantaram a voz várias vezes, mas em vão; na verdade, os imperadores, tendo pegado em armas, recorreram à violência contra eles. Calisto, cheio de zelo e coragem, querendo em todo o caso pôr fim e dar um remédio eficaz a tanto mal, depois de ter reduzido Henrique V a conselhos mais brandos, reuniu o referido conselho. O imperador pediu para ser exonerado da excomunhão de que havia sido atingido, submeteu-se plenamente à Igreja, e jurou não interferir mais nas eleições de prelados, nem mesmo nas investiduras espirituais, deixando assim à Igreja plena liberdade na escolha de seus ministros. Para então consolidar esta paz {104 [104]} e ampliando suas vantagens, o conselho também emitiu vários decretos, e assim conseguiu restabelecer a disciplina e a boa moral entre os católicos. - Também foram condenadas as ordenações feitas pelo heresiarca Bordino que teve a audácia de se fazer criar antipapa. Finalmente, este concílio convidou os cristãos a expulsar os sarracenos de Jerusalém e os mouros de Espanha, porque eram os mais ferozes inimigos do cristianismo.

            Tom. Quale è il decimo concilio generale?

            X. Prev. O décimo concílio geral é o Segundo Concílio de Latrão. Foi convocado em 1º de abril do ano de 1139 pelo Papa Inocêncio II. Compareceram mil bispos e outros tantos abades, presididos pelo próprio Pontífice. Foi comemorado para remediar os transtornos causados ​​pelo antipapa Anacleto, conhecido como Pedro de Leão, e para condenar diversos erros contrários à fé, difundidos naquela época. Entre estas está a heresia de um certo Tanchellino, que professou um erro contra a Santíssima Trindade. Sacramento, {105 [105]} e contra o poder dos bispos e padres. Foram igualmente condenados os erros de Pedro de Bruis e de Arnaldo de Bréscia, que além de uma vida escandalosa desprezavam o Santo Sacrifício da Missa, a invocação dos Santos, o batismo das crianças, a tradição e os escritos dos Santos. Pais.

            Esses dois hereges pareciam atingidos pela ira de Deus com um fim desastroso. Pedro de Bruis, depois de 25 anos de roubos ímpios e de crimes sacrílegos, tornou-se vítima da fúria do povo, que, ensurdecido pelas suas blasfêmias, um dia o empurrou para aquelas mesmas chamas, que ele havia preparado para queimar um grande feixe de cruzes que havia derrubado. - Arnaldo, então ferrenho inimigo do domínio temporal do Papa, não parando de vomitar calúnias contra a Igreja, ousou ir a Roma, onde por ódio ao Pontífice tentou mandar assassinar um cardeal, que sofreu uma ferida perigosa. Temendo uma punição proporcional ao seu crime, Arnaldo fugiu de Roma, mas chegou à Toscana {106 [106]} foi levado e entregue às chamas pelo poder civil.

            Tom. Castigo terrível, mas merecido! O que você pode me dizer agora sobre o décimo primeiro concílio?

            XI. Prev. O décimo primeiro concílio geral é o terceiro de Latrão, convocado por Alexandre III e celebrado em Roma no ano de 1179 com a participação de 302 bispos. O principal objetivo deste concílio era procurar e estabelecer um meio de evitar cismas na eleição dos papas. Para superar as desordens, no ano de 1059 o Papa Nicolau II já havia restringido o direito de eleger o Papa apenas aos Cardeais, mas às vezes quando estes não concordavam sobre a pessoa a ser eleita, as próprias desordens ainda ocorriam, vendo assim vários antipapas ao mesmo tempo. Portanto, o concílio presidido pelo próprio Alexandre decretou que, no caso de os cardeais não concordarem na eleição papal, aquele que recebesse dois terços dos votos seria reconhecido como legítimo; e que se aquele que obteve o {107 [107]} um terço dos votos ainda queria qualificar-se como Papa, caso os promotores fossem excomungados. - Este concílio também condenou vários hereges da época, como os valdenses, os cátaros, ou os Patareni e outros de vários nomes. Essas pessoas, guiadas pelo espírito de ódio ao catolicismo, incendiaram mosteiros, roubaram coisas devidas à Igreja, negaram os Sacramentos, o Purgatório e zombaram das sagradas Indulgências.

            Tom. Gli eretici di cui ella mi accennava or ora le prodezze pare che siano stati i maestri di certa gente di oggidì. Non è egli vero? - Ma veniamo al duodecimo universale concilio.

            XII. Prev. O décimo segundo concílio universal é o quarto de Latrão, celebrado em Roma no ano de 1215 por Inocêncio III, com a participação de 473 bispos e 800 abades, presidido pessoalmente pelo próprio Papa. O principal motivo da celebração deste concílio foi a heresia dos albigenses, assim chamados, porque já haviam {108 [108]} espalharam seus erros na província de Alby, na França. Esta heresia era um complexo monstruoso de todas as heresias que surgiram nos séculos anteriores. Entre outras extravagâncias, os albigenses diziam que havia dois princípios criativos, Deus e o diabo; Deus criou as almas, o diabo o corpo. Rejeitaram a Igreja, os Sacramentos, vomitaram mil blasfêmias contra Jesus Cristo e Maria Santíssima. Somados a tudo isso estavam costumes muito depravados. Como a persuasão não foi suficiente para espalhar essas impiedades, recorreram à violência, demoliram igrejas, derrubaram altares, ameaçaram e massacraram quem não quisesse seguir a sua doutrina. Não sendo o zelo de São Domingos com a sua pregação e o valor militar de Simone di Monforte suficientes para deter tantas desordens, a convocação do referido concílio foi considerada oportuna. Nele foram condenados os erros dos albigenses. Vários outros pontos da doutrina também foram discutidos, especialmente a SS. Trindade, {109 [109]} e da divina Eucaristia. Foi definido que uma vez ditas as palavras de consagração pelo sacerdote, a substância do pão e do vinho deixou de existir para dar origem à substância do corpo e do sangue de Jesus Cristo; e a palavra foi usada pela primeira vez para expressar esta verdade de fé transubstanciação. - Como naquela época muitos cristãos que haviam esfriado na piedade passavam anos inteiros sem se confessar e comungar, foi ordenado que todos os que atingissem a idade da discrição deveriam se confessar pelo menos uma vez por ano, e comungar na Páscoa em seu próprio número; e foi decretado que quem não cumprisse este preceito seria proibido de entrar na Igreja, e se morresse neste estado miserável lhe seria negado o sepultamento eclesiástico; significando com isso que quem não recebe estes Sacramentos nos tempos prescritos é entendido como querendo renunciar ao nome de cristão. {110 [110]}

            Tom. Agora sei quando foi feito o terceiro mandamento da Igreja. Isso me agrada. - Agora terei prazer em ouvir algo do décimo terceiro conselho geral.

            XIII. Prev. O décimo terceiro concílio geral, conhecido como Primeiro Concílio de Lyon, foi realizado em Lyon, cidade da França, no ano de 1245, convocado e presidido pelo Papa Inocêncio IV. 140 bispos estiveram presentes. Este conselho foi convocado para tratar de assuntos pertencentes à disciplina e, especialmente, para remediar os graves danos causados ​​à Igreja por Frederico II, imperador da Alemanha. Este príncipe, que quando jovem recebeu muitos benefícios do Papa Inocêncio III, tornou-se ímpio e cruel quando se tornou adulto e assumiu as rédeas do império. Depois de ter usado muita violência contra os bispos e sacerdotes, lançou ameaças contra a pessoa do próprio Pontífice, que se viu obrigado a retirar-se para França e aí celebrar o Concílio. Frederico também foi convidado para este conselho para justificar a sua conduta, {111 [111]} mas ele recusou. Sua maldade foi, portanto, examinada pelos pais, e ele foi especialmente reconhecido como culpado de três crimes, de perjúrio, porque violou o juramento que havia feito de ir e libertar os lugares sagrados; culpado de sacrilégio por ter roubado os bens das igrejas, proibindo os bispos do império de irem ao concílio e mandando prender os que lá iam; ele também foi considerado culpado de heresia e, portanto, foi excomungado, deposto, privado de toda honra e dignidade pelo concílio e, ao mesmo tempo, seus súditos foram libertados do juramento de obediência. Deus também mostrou como o imperador merecia isso e muito mais. Na verdade, daquele ponto em diante ele ficou apenas com vergonha e derrota, e logo depois uma morte cheia de remorso cruel. - Neste concílio também foi ordenado que os cardeais da Santa Igreja usassem o manto vermelho ou púrpura, para significar que a sua dignidade deriva do sangue de Jesus Cristo e de muitos milhões de mártires, que {112 [112]} pagaram como testemunho de fé. No final do concílio foi decidida uma cruzada para libertar a Terra Santa sob o comando de São Luís, rei da França.

            Tom. Chegamos ao décimo quinto trimestre. O que você me diz, Sr. reitor?

            XIV. Prev. O décimo quarto concílio foi novamente celebrado em Lyon e, portanto, denominado Segundo Concílio de Lyon. O objetivo principal deste concílio era a reunião da Igreja cismática grega com a latina. Durante quatro séculos a Igreja grega já estava miseravelmente enganada por causa de Fócio, quando Deus, fazendo-a sofrer castigos gravíssimos, chamou-a de volta ao seio da verdade. Os turcos ameaçavam-na de vez em quando, e ela viu claramente que, para não cair nas mãos deles, precisava do apoio da Igreja latina. Então o Imperador Miguel Paleólogo enviou uma carta ao Beato Gregório X, protestando que ele e todos os seus súbditos queriam regressar à unidade católica. O Papa ficou encantado e assim {113 [113]} o assunto foi tratado com mais maturidade ele convocou o Concílio de Lyon no ano de 1274. Além dos patriarcas latinos, intervieram dois patriarcas gregos, um de Costatinopla, outro de Antioquia, 500 bispos e 1.070 abades e outros homens ilustres. O Papa também havia convidado São Tomás de Aquino, conhecido como o Anjo das escolas, já havia sido seu companheiro de estudos em Paris; mas enquanto Tomé estava indo para Lyon, ele adoeceu perto de Roma e morreu ali como a morte dos justos. São Boaventura, que ocupava o primeiro lugar entre os bispos depois do Papa, tinha a tarefa de propor as coisas que precisavam ser discutidas. Os gregos abjuraram os seus erros, declararam que acreditavam que o Espírito Santo procede não só do Pai, mas também do Filho; admitiram a existência do Purgatório, a validade do sacramento da Eucaristia feita com pães ázimos, e finalmente confessaram o Romano Pontífice como o verdadeiro e legítimo sucessor de São Pedro, e a impossibilidade de se salvarem para quem persiste {114 [114]} não querer ficar junto. O Papa que presidiu pessoalmente o Concílio, vendo tantas crianças desencaminhadas regressarem ao rebanho de Cristo, tomados por um transporte de júbilo, entoou um solene Te Deum, que todos os presentes continuaram a uma só voz.

            Tom. Quando foi convocado o décimo quinto conselho geral?

            XV. Prev. Este concílio foi convocado pelo Papa Clemente V no ano de 1311 na cidade de Viena, na França. Participaram mais de 300 bispos, sem contar um grande número de outros prelados. Foi presidido pelo Papa, que veio da sua residência em Avinhão. A principal causa que levou o chefe da Igreja a reunir este sínodo foram os erros dos Templários. Esta ordem militar estabelecida em Jerusalém na época das Cruzadas tinha este nome devido à casa que seus membros ocuparam perto do templo de Nosso Senhor, e sua função era defender a Terra Santa. Mas os Templários, depois de terem prestado consideráveis serviços ao {115 [115]} Igreja degenerou miseravelmente. Alguns deles chegaram ao ponto de negar Jesus Cristo e professar a mais desenfreada licenciosidade. O conselho vienense ouviu, portanto, as acusações feitas contra os Templários e reconheceu-as como procedentes, suprimiu a sua ordem e decretou que todas as suas propriedades deveriam passar para os cavaleiros da Ordem de Jerusalém, ou seja, cavaleiros de Malta. Outros hereges também foram condenados, incluindo os chamados Beguardi, os Beguines, os Fraticelli e outros, que com fé rejeitaram de forma semelhante a boa moral. - Para deter ainda mais o erro daqueles que diziam que o culto divino não deveria ser dado à Eucaristia, foi decretado que a procissão dos Corpus Domini, e a festa já instituída com duplo rito por Urbano IV no ano de 1264, foi celebrada com pompa solene em todo o mundo católico. - Nisto também foi declarada inocente a sagrada memória do Papa Bonifácio VIII acusado de heresia pelo feroz Filipe, o Belo, rei da França. Eu lhe custou depois de ter me oposto a ele de muitas maneiras {116 [116]} e perseguiu aquele santo Pontífice em vida, não quis poupá-lo de além-túmulo e tentou desonrar seu nome. No final foi uma expedição à Terra Santa contra os turcos.

            Tom. Chega do décimo quinto concílio; agora tenha a gentileza de continuar o assunto e falar comigo sobre o décimo sexto.

            XVI. Anterior. Do décimo sexto concílio devo dizer-vos que foi celebrado em Constança, cidade da Alemanha, do ano de 1414 a 1418. Este concílio foi convocado pelo Papa João XXIII, que mais tarde cedeu o pontificado por amor à paz e à união. No mesmo concílio, foi eleito como novo o Papa Martinho V no ano de 1417, que aprovou e confirmou o que havia sido definido sobre a fé antes e depois de sua eleição, e por isso fez com que fosse recebido em toda a Igreja como um concílio ecumênico.[27]. Nas últimas seções ele presidiu {117 [117]} participaram o próprio pontífice e mais de 300 bispos, sem contar muitas outras pessoas. Neste concílio, além de extinguir o cisma causado na Igreja por dois antipapas, foi também condenada a heresia de João Hus, que se espalhava na sua terra natal, a Boémia, com grande escândalo e ruína de almas. Seguindo os erros de Vicleffo, outro herege da Inglaterra, falecido um século antes, e inventando outros, ele combateu especialmente as leis da Igreja, a autoridade do Papa e vários outros artigos da nossa santa fé. Entre outros erros ele ensinou que s. Pedro nunca foi chefe da Igreja. Convocado para comparecer ao concílio, ele concordou e declarou por escrito que também queria ser julgado e punido onde quer que alguém pudesse convencê-lo do erro. Então o imperador Sigismundo, para facilitar sua exoneração, deu-lhe um passaporte. O orgulhoso heresiarca que chegou a Constança, longe de cumprir o julgamento do concílio, começou a se desviar {118 [118]} de forma mais horrível. Nunca houve um herege por quem se demonstrasse tanta consideração. Os padres do concílio, o próprio imperador, todos, em público e em privado, trabalharam para levá-lo a um melhor sentido. Mas como se revelou cada vez mais obstinado e sempre pronto a perturbar a paz pública e a despedaçar a Igreja, foi entregue ao braço secular, que segundo as leis da época o condenou às chamas. Seus erros, como os de Vicleffo e outros, foram solenemente condenados.

            Tom. O que é o Décimo Sétimo Concílio Ecumênico?

            Prev. Esta noite vejo que o material que temos em mãos me leva muito longe. Então tenha paciência, meu caro Tommaso, em breve chegaremos ao fim.

            Tom. Paciência comigo? Sim, tem que ter paciência, tem que falar muito, mas para mim estou disposto a ficar e ouvir até meia noite. Para mim esta é uma das noites mais bonitas. Então continue e não se preocupe comigo. {119 [119]}

            Prev. O décimo sétimo concílio é o chamado florentino. Este concílio convocado pelo Papa Martinho V começou primeiro na cidade de Basileia no ano de 1431. Foi então transportado por Eugénio IV para Ferrara, e desde que a peste eclodiu ali, foi finalmente transferido para Florença no ano de 1439, onde terminou sob a presidência do próprio Papa.[28]. A reunião da Igreja grega com a latina obtida no Concílio de Lyon durou pouco: os gregos pouco depois caíram nos seus antigos erros. O Concílio de Florença teve, portanto, como objetivo tentar novamente a desejada união entre os dois {120 [120]} Igrejas. O imperador João Paleólogo, o patriarca de Constantinopla e outros prelados gregos compareceram pessoalmente ao concílio, onde estiveram presentes mais de 140 bispos e outras figuras entre latinos e gregos, presidido pelo mesmo pontífice. Os pontos controversos foram discutidos, e os padres latinos, com todos os tipos de argumentos, convenceram os gregos de que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho; que é válida a Consagração feita sobre pães ázimos, que existe o purgatório e que o papa é vigário de G. Cristo, sucessor de s. Pedro, cabeça de toda a Igreja, pai, mestre de todos os cristãos, a quem foi dado por Jesus Cristo na pessoa de S. Pedro o pleno poder para pastorear, governar e governar a Igreja universal. Portanto, no dia 6 de julho de 1439, depois de o Papa Eugênio ter celebrado a Santa Missa, o Decreto da União, que foi assinado pelo papa, pelos cardeais, pelos bispos e prelados latinos e gregos, bem como pelo próprio imperador, que no entanto o assinou com uma fórmula diferente. {121 [121]}

            Tudo levava a esperanças de que a união estabelecida com tanta solenidade durasse para sempre, mas eram esperanças vãs. Assim que os gregos regressaram a Constantinopla, renunciaram ao que tinham feito em Florença e o seu cisma continuou. Deus, porém, não quis deixar impune esta cegueira culposa, pois no ano de 1453, apenas treze anos após a união violada, Maomé II, o grande sultão, à frente de um feroz exército de turcos, tomou Constantinopla de assalto, e em três dias de saque a fez cometer as mais enormes crueldades. Os soldados mataram aqueles que estavam diante deles, demoliram as igrejas, derrubaram os altares, profanaram os mosteiros e destruíram tudo com sangue e fogo. Assim, aquela Igreja, que não quis conhecer a autoridade do sucessor de Pedro, que a tratava como um pai, caiu sob o sucessor de Maomé, que a tratou como um tirano.

            Tom. Castigo terrível que ainda pesa sobre aquela infeliz Igreja! Oh! pelo menos abra os olhos nestes {122 [122]} dias, e se joga nos braços da Igreja Católica, que os estende novamente para abraçá-la novamente no próximo concílio geral.

            XVIII. Prev. Começarei agora a falar com vocês sobre os dois últimos concílios ecumênicos, que são o Quinto Concílio de Latrão e o Concílio Tridentino. A primeira delas foi convocada pelo Papa Júlio II no ano de 1512 em Roma, e realizada na basílica de Latrão. Morto o Papa Júlio, foi continuado e presidido por seu sucessor Leão. Foi celebrado para proteger a Igreja dos males ameaçados por uma reunião de alguns prelados indignos, protegidos pelos príncipes do século, mais comumente chamado de concílio de Pisa, onde realizavam suas sessões. Ele também foi obrigado a abolir uma lei francesa, conhecida pelo nome de Sanção Prática, com o qual alguns direitos da Santa Sé foram derrogados em questões relativas à religião e disciplina. O conselho foi atingido por uma interdição {123 [123]} e com excomunhão, e alguns dos seus membros tendo voltado a si pediram perdão ao Papa; o Pragmático foi abolido. Também foi decretada uma expedição contra os turcos. A questão dos Monti di Pietà também foi discutida, e foi decidido que a sua criação é legal, o que foi negado por alguns. Para evitar danos à imprensa, descobertos pouco antes (no ano de 1438), era proibida a impressão de qualquer livro antes de ser examinado e aprovado pela autoridade eclesiástica, sob pena de excomunhão.

            Tom. Eu entendo! Foi portanto neste concílio que a igreja começou a proibir a liberdade de imprensa.

            Prev. É um ditado proibir a liberdade de imprensa... Sejamos claros. A Igreja nem então nem nunca proibiu a impressão de bons livros, úteis para a ciência, a religião e a moralidade. Ela apenas proibiu a impressão de obras perversas e perigosas. A Igreja sempre tentou e ainda tenta tirar a liberdade do mal, deixando-a inteiramente ao bem. {124 [124]}

            Tom. Mas não é bom para a sociedade que todos tenham a liberdade de imprimir o que quiserem? A liberdade de imprensa não é uma grande descoberta?

            Prev. Querido jovem, diga-me: é bom para a sociedade que os canalhas sejam deixados livres para jogar veneno nos poços para fazer as pessoas morrerem? Você certamente diz não. Então, será bom para a sociedade se as blasfêmias contra Deus, contra a religião e, especialmente, máximas perversas contra a boa moral puderem ser impressas livremente e, assim, corromperem ainda mais as mentes e os corações dos cidadãos? Ah! não, isso só pode ser um bem para os ímpios e para a impiedade. - Os próprios pagãos, meus queridos, não deixaram tanta liberdade aos seus escritores. Na verdade, sabemos pela história que os gregos queimaram publicamente os livros do filósofo Protágoras no fórum porque eram irreligiosos. Roma na época da república proibiu e ordenou tentativas de destruição dos livros das Bacantes, nos quais eram ensinadas {125 [125]} práticas abomináveis; e Cesare Angusto puniu com o exílio um dos poetas mais famosos[29] por ter composto um poema licencioso. Sim, digamos francamente, é uma vergonha para um governo cristão deixar a imprensa insultar impunemente a majestade do verdadeiro Deus, maltratar a religião e atropelar as suas leis.

            Tenha em mente, portanto, meu Tomás, que a liberdade absoluta de imprensa, isto é, aquela liberdade pela qual alguém pode imprimir o que sente, seja bom ou mau, não é um bem, mas um mal gravíssimo não só para a sociedade religiosa, mas também para a sociedade civil. Que foi isso que o próprio governo soube recentemente. Há pouco tempo você deve ter ouvido falar da turbulência que ocorreu em alguns países devido às leis sobre carne moída. Nesta ocasião alguns jornalistas, aproveitando a liberdade de imprensa, tomaram o partido dos desordeiros, publicando nos seus jornais mil calúnias contra {126 [126]} ao rei, à sua lei, ao seu governo. Nessas circunstâncias, você acredita que o governo permitiu que o que queria fosse impresso? O governo talvez tenha dito aos repórteres. «Você também usa a liberdade de imprensa, escreve, imprime o que quiser?» Longe disso. Ele apreendeu e suprimiu os referidos jornais, algemou os jornalistas e os levou para a cidadela de Alexandria. E assim o próprio governo mostrou que a liberdade absoluta de imprensa, longe de ser um bem, é um meio ruinoso, que pode perturbar a ordem pública, minar e minar a autoridade do Estado desde os seus fundamentos. Mas, digo eu, se a liberdade absoluta de imprensa é um mal, e se deve ser reprimida quando se volta contra o príncipe, contra o Estado e as suas leis, deveria então dizer-se que é um bem quando vira as suas armas fatais contra Deus, rei do céu e da terra, contra a Igreja que é o seu reino, contra os seus ministros, contra as suas leis? Certamente não. Assim, a Igreja, que {127 [127]} zela não só pelo bem da Religião, mas também pelo verdadeiro bem-estar da sociedade civil, fez muito bem em tomar, na medida do possível, algumas medidas em relação à imprensa, deixando plena liberdade à boa imprensa, travando a má, condenando-a também, e fulminando-a com uma maldição[30]. Mas chega disso; Chegamos agora ao nosso último conselho.

            Tom. Obrigado por me teres esclarecido um pouco sobre esta imprensa livre, de que tanto se fala hoje. É claro que a liberdade de imprensa é um princípio falso. E parece claro para mim. Visto que o homem é obrigado a estar sujeito à autoridade de Deus, seu Criador, ele não pode, em consciência, pensar nem agir contra ele, nem contra as suas leis; e se ele não pode pensar contra Deus, também não pode expressar pessoalmente seus pensamentos perversos {128 [128]} voz, tanto junto à imprensa, sem se tornar um rebelde contra o próprio Deus. Há, portanto, que dizer que a liberdade de imprensa é totalmente repreensível, e eu também a censuro.

            Agora Vossa Excelência conte-me a história do Concílio Tridentino, que ouvi muitas vezes ser mencionado nos seus sermões e instruções paroquiais.

            Prev. O Concílio de Trento é o décimo nono e último dos ecumênicos. Ele foi chamado de sacrossanto pela santidade de seus decretos e pela grande utilidade que trouxe à Igreja Católica. Este concílio durou mais de 18 anos porque foi interrompido diversas vezes por guerras. Convocada em Trento, cidade do Tirol italiano, no ano de 1545 por Paulo III, foi continuada sob o Papa Júlio III e felizmente concluída no ano de 1563 sob Pio IV sob os cuidados do infatigável s. Carlo Borromeo, seu sobrinho. Os papas presidiram através de seus legados. Ao longo do Concílio participaram muitos prelados e teólogos eminentes. Quando terminou eles estavam lá {129 [129]} 255 padres, incluindo 196 patriarcas, arcebispos e bispos. Este concílio foi celebrado especialmente para condenar e refrear as muitas heresias de Lutero, Calvino e Henrique VIII, reis da Inglaterra, e outros apóstatas daquela época calamitosa para a Igreja. Os protestantes também foram convidados a participar, tiveram plena liberdade para disputar, foi-lhes concedido salvo-conduto para que não fossem molestados; mas nenhum deles apareceu, porque as trevas fogem da luz, e quem tem interesse em apoiar falsidades teme ser convencido da verdade. Os erros desses vários hereges foram condenados, foram estabelecidos decretos sobre a justificação, os sacramentos, o purgatório, as indulgências e muitas outras coisas relativas ao dogma e à disciplina. É composto por 25 sessões, que contêm a doutrina e a disciplina de quase todos os concílios celebrados anteriormente; e neste concílio o Espírito Santo ajudou tanto a sua Igreja que {130 [130]} será difícil que erros sejam inventados em séculos futuros que não tenham sido direta ou indiretamente cometidos ali. Esta é também uma das razões pelas quais nenhum concílio ecuménico foi convocado durante tanto tempo. - Tal foi a utilidade das decisões deste concílio que a Santa Sé estabeleceu uma congregação composta pelos mais ilustres cardeais da Santa Igreja, para garantir que aqueles cânones e decretos sagrados sejam sempre mantidos inviolados, e às vezes para interpretar o seu significado em casos de controvérsia.

            Aqui está, portanto, meu caro Tomás, a curta mas exaltada história dos concílios gerais celebrados até agora. Temos a sorte de nos encontrarmos nesta época, em que depois de 306 anos (muitos já passaram desde o de Trento), um glorioso Pontífice, que é a admiração do mundo inteiro, acaba de convocar um novo Concílio Ecuménico, que será o vigésimo e o primeiro Vaticano.

            Tom. Sr. Reitor; eu te agradeço {131 [131]} infinitamente della bontà usatami. Ora siccome le nostre conversazioni sui concili cominciarono dal concilio testè intimato dal nostro santo padre Pio IX, così mi parrebbe ben fatto che noi le terminassimo ritornando sul medesimo. Perciò pregherei V. S. a volermi ancora ricevere una volta in casa sua, e porgermi una breve istruzione a questo proposito.

            Prev. Ti attendo per domani sera. {132 [132]}

 

Conversazione IV. Del concilio vaticano primo. - Suo scopo. - Sua opportunità. - Gravi ragioni che mossero il Papa a convocarlo. - Invito fatto ai vescovi scismatici ed ai protestanti. - Apertura del concilio. - Discussione e modo con cui è infallibile la Chiesa. - Chiusura. - Preghiera e speranza.

 

            Tom. Quando adunque, signor prevosto, deve incominciare questo concilio, che fin d'ora fa già parlare di sè tutto il mondo?

            Prev. Ti dirò il tempo e il luogo. In quanto al luogo sarà tenuto in Roma, sotto la presidenza del papa, nel gran tempio di s. Pietro in Vaticano, motivo per cui questo concilio, che è il ventesimo degli ecumenici, sarà chiamato vaticano primo. In quanto al tempo, incomincierà questo anno stesso agli otto dicembre, {133 [133]} giorno dedicato a Maria Immacolata. Pio IX lo intimò per questo giorno, onde metterlo sotto la speciale protezione di Maria SS., la quale è chiamata con ragione l'aiuto dei cristiani, la sterminatrice di tutte le eresie. Oh! Maria non mancherà certamente di proteggere in modo speciale questo grande concilio, e lo proteggerà anche di buon grado per compiacere al grande Pontefice che, speriamo, lo presiederà, il quale ha fatto tanto per la gloria di lei, proclamandola solennemente: concepita senza macchia originale. Nessuno dei concili generali sinora celebrati venne incominciato in si bel giorno. Sarà questo il primo, e, per questa sì cara circostanza potrà essere pur anche chiamato: Il concilio dell'Immacolata.

            Tom. Quale è lo scopo di questo concilio, e che intende di stabilire?

            Prev. Il fine principale di qualsiasi concilio della Chiesa è sempre stato la maggior gloria di Dio e la salute delle anime. Il prossimo concilio ecumenico camminerà sulle pedate degli {134 [134]} altri. Pio IX poi nella sua lettera apostolica di convocazione, si compiacque di manifestarci in modo particolare quello che avrà cura di esaminare e stabilire il concilio da lui intimato. Ecco le sue venerande parole: «In questo concilio generale, egli dice, si dovranno diligentissimamente esaminare e stabilire le cose, le quali specialmente in questi difficilissimi tempi riguardano sovratutto la maggior gloria di Dio, l'integrità della fede, il decoro del divin culto, l'eterna salute delle anime, la disciplina del clero secolare e regolare e la loro salutare e solida istruzione, l'osservanza delle leggi ecclesiastiche, la correzione dei costumi, la cristiana educazione della gioventù, e la pace e la concordia universale.» Ecco lo scopo che si propone il concilio, e che cercherà di ottenere colle Sue sapientissime leggi.

            Tom. Grande impresa davvero! Ma crede lei, Sr. prevosto, che ai tempi nostri faccia bisogno di un siffatto concilio? In una parola, crede lei {135 [135]} che per un generale concilio sia questo il tempo opportuno? Io per me ho sentito a dire di no.

            Prev. A me pare questo per un concilio tempo opportunissimo, ed ancorchè per tale non mi fosse sembrato, tuttavia avrei cangiato subito parere per l'unica ragione, che per opportuno fu stimato dal Papa. Credi pure, il sommo Pontefice, il vicario di Gesù Cristo vede le cose assai bene. Egli dalla cattedra di s. Pietro è come se fosse sopra un'alta specula, munito di un buon cannocchiale. Da quel luogo sublime, e colla mente illuminata dallo Spirito Santo, egli vede le cose lucidamente e assai meglio che non certuni, i quali si credono di vedere e sono ciechi come le talpe. Quindi ripeto che per un concilio ecumenico questo è il tempo opportuno e addattato appunto perchè fu così giudicato dal santo padre. Il glorioso Pontefice, che stimò questo un tempo opportuno ne accennò pure le buone ragioni, le quali per poco che uno consideri non può a meno {136 [136]} di convenire con lui ed applaudire al pontificio divisamente.

            Tom. E quali sono queste buone ragioni?

            Prev. Ascoltate dalla bocca dello stesso capo della Chiesa. Egli nella citata lettera dopo di aver detto con quanta cura i sommi Pontefici suoi predecessori coll'autorità ricevuta da Gesù Cristo, sempre vi si adoperassero per conservare il deposito della fede, e promuovere nei popoli la pietà e l'onestà dei costumi, e come non ommettessero, sovratutto nei tempi di gravissime perturbazioni e calamità, di radunare concili generali, onde coi consigli e colle forze unite dei vescovi di tutto l'orbe cattolico provvidamente e sapientemente deliberare tutto ciò che valesse a definire i dogmi della fede, a reprimere le invasioni degli errori dominanti, a difendere, illustrare e svolgere la dottrina cattolica, a correggere i costumi corrotti dei popoli, dopo aver detto tutto questo il Pontefice continua così: «Ora tutti sanno da quale orribile {137 [137]} tempesta sia travagliata la Chiesa, e da quale e quanti mali sia afflitta la società civile. Imperocchè per opera di acerrimi nemici di Dio e degli uomini la Chiesa cattolica, e la sua salutare dottrina e veneranda potestà, e la suprema autorità di quest'apostolica sede sono combattute e conculcate, e ogni cosa sacra è posta in disprezzo, i beni ecclesiastici sono usurpati, i vescovi e rispettabilissimi uomini addetti al divino ministero, e personaggi cospicui pei loro sentimenti cattolici, sono in ogni modo vessati, le religiose famiglie soppresse, e libri empi e di ogni genere, e pestiferi giornali e moltiformi, e perniciossime sette per ogni parte diffuse, e l'istruzione della misera gioventù quasi dapertutto tolta al clero, e ciò che è peggio, in molti luoghi affidata a maestri d'errore e d'iniquità. Di che con sommo dolore nostro e di tutti i buoni, e con danno delle anime che non sarà mai abbastanza deplorato, per ogni dove siffattamente si estesero l'empietà e la corruzione dei costumi, la sfrenata {138 [138]} licenza e la peste delle perverse opinioni di ogni genere, e di tutti i vizi e di tutte le scelleratezze, e la violazione delle leggi divine ed umane, sicchè non solamente la ss. nostra Religione, ma anche l'umana società ne sono in miserando modo turbate e trvagliate. In tanto cumulo di calamità che opprimono il nostro cuore, continua a dire il Papa, il pastorale ministero a noi dalla divina autorità commesso richiede che rivolgiamo più che mai le nostre forze a riparare le rovine della Chiesa, la salute di tutto il gregge del Signore, a reprimere gli sforzi e gli impeti esiziali di coloro, che, se fosse possibile, vorrebbero sconvolgere dalle fondamenta la stessa Chiesa e la società civile... Ora seguendo le orme degli illustri nostri predecessori, abbiamo stimato opportuno radunare tutti i venerabili fratelli vescovi di tutto l'orbe cattolico in un generale concilio.» Così il Papa[31]. {139 [139]}

            Ora dimmi, Tommaso mio, dopo una sì viva e veritiera esposizione di tanti mali, chi è che non vegga l'opportunità di un concilio con cui scongiurarli o diminuirli almeno? Anzi non solo opportuno è un concilio al giorno d'oggi, ma necessario. Al punto in cui ci troviamo Dio solo può salvare la società; e Dio non salva la società se non per mezzo di quella Chiesa da lui stabilita madre e maestra degli uomini. Sì, ancora questa volta con tutta ragione Pio IX dall'illustre vescovo di Ginevra monsignor Mermillod potrà essere chiamato il Pontefice dell'opportunità, perchè come in tutte {140 [140]} le sue imprese così ancora in questa seppe scegliere il tempo più propizio, più opportuno. I fatti lo proveranno.

            Tom. Ora che ci rifletto un po'meglio, veggo anch'io le ragioni; sono forti pur troppo e dolorose; e convengo anch'io perfettamente. Oh! Dio voglia che il concilio possa mettere un argine a tanti mali! Ma, dica, oltre a questo, quale altro bene si promette il santo padre dal futuro concilio?

            Prev. Fra gli altri uno assai importante ne spera il vicario di Gesù Cristo, ed è la riunione della Chiesa scismatica colla Chiesa cattolica, e il ritorno dei protestanti alla medesima. Per questo fine egli indirizzò pure ad essi lettere speciali, invitando i vescovi scismatici ad intervenire ancor essi al concilio per rinnovare e compiere finalmente la bramata unione; e pregando caldamente i protestanti a considerare lo stato infelice in cui si trovano, a riconoscere il loro errore, e cogliendo occasione dal prossimo concilio fare ritorno alla {141 [141]} Chiesa cattolica, dalla quale i padri loro si sono sventuratamente separati.

            Tom. Si può egli sperare che questa traviata gente corrisponda all'amoroso invito, e ritorni all'antico ovile?

            Prev. Lo spera il santo padre, e lo dobbiamo sperare anche noi, e pregare. Qualora poi questo invito non fosse pienamente corrisposto resterebbe però sempre quale splendida prova della grande carità che nutre la santa sede anche verso coloro che non ne vogliono riconoscere i diritti e l’autorità[32]. Diciamo peraltro che l'invito del Papa qualche buon effetto dovrà produrre immancabilmente, sopratutto fra i scismatici. Imperocchè, o quei vescovi intervengono al concilio, ed allora non potranno a meno che riconoscere la verità, la quale in quell'ampio e venerando consesso risplenderà {142 [142]} della più viva luce, e purchè non si vogliano ostinare nell'errore, del resto dovranno piegare innanzi a lei, abbracciarla e farla abbracciare dai loro fedeli; oppure non intervengono, e in questo caso essi porgeranno ai rispettivi fedeli un buon motivo a sospettare sul loro conto, daranno loro occasione di aprire un po'meglio gli occhi, e forse metterli in questo modo sulla via della verità. Il popolo ragiona, e vedendo che i suoi pastori ricusano di recarsi ad un concilio generale della Chiesa cattolica potranno ragionevolmente dire: «Il nostro episcopato col rifiutare di intervenire al concilio ecumenico dà a pensare che esso si sente incapace di sostenere la discussione in faccia all'episcopato latino;» e rivolti ai loro pastori potrebbero loro parlare così: «O la verità sta dalla parte vostra o dalla parte della Chiesa latina. Se sta dalla parte vostra, allora perchè temete di cimentarvi coi latini? Perchè ricusate di recarvi in mezzo a loro per fare conoscere in {143 [143]} questa si solenne circostanza e fare toccar con mano che essi e non voi siete in errore, e trarveli fuori? Se poi la verità sta dalla parte della Chiesa latina, allora voi, risoluti di non volerla abbracciare, avete ragione di non incomodarvi, recandovi al concilio, ma noi, alla nostra volta, abbiamo pure il diritto ed il dovere di considerarvi non come pastori, ma quali mercenarii, anzi quali lupi rapaci, di fuggirvi perciò e gettarci in seno alla Chiesa cattolica per salvare le anime nostre.» Così potrebbero ragionare quei fedeli nel caso supposto; di modo che il trionfo della Chiesa cattolica, e del concilio ecumenico, o in un modo o in un altro, o più presto o più tardi, dovrà pure seguire finalmente[33]. {144 [144]}       Tom. Fiat, fiat, come lei dice, e con questa dolce speranza in cuore noi aspetteremo gl'avvenimenti. Prima però ai partirmi dalla V. S. desidererei ancora di sapere qualche cosa sul modo che si terrà nella celebrazione di questo concilio. Favorisca adunque di dirmi alcun che della sua apertura, della discussione, della chiusura.

            Prev. Tu mi domandi cose, che potendo variare a seconda delle circostanze, non è possibile precisare il modo di esecuzione nelle singole parti. Tuttavia in qualche cosa ti vo'contentare. Imperocchè da quello che si è fatto nei concili precedenti si può argomentare almeno in generale quanto si farà nel seguente. Ecco pertanto la risposta alla tua dimanda.

            Si comincia dal Papa con lettere {145 [145]} apostoliche a tutti i vescovi intimare il concilio, fissarne il tempo ed il luogo, invitandoli, anzi comandando loro d'intervenire al concilio, eccetto che abbiano qualche giusto impedimento. Qualche tempo prima dell'apertura, il papa ordina nella Chiesa delle pubbliche preghiere e dei digiuni pel buon andamento del concilio[34]. Nel giorno poi fissato per dare incominciamento, i vescovi si radunano tutti nel palazzo pontificio o in altro luogo assegnato. Ivi vestiti dei loro abiti pontificali, e procedendo processionalmente secondo l'ordine del loro grado, preceduti dalla croce si recheranno nella basilica vaticana, luogo designato pel prossimo concilio. Giunti colà il sommo pontefice dal suo trono pronuncia un'allocuzione, ossia discorso, nel quale {146 [146]} accenna le cause della convocazione del concilio. Seguono poscia varie preghiere, fra cui le Litanie dei santi, il canto di un Vangelo adattato alla circostanza, l'inno Veni Creator, non che il Te Deum laudamus, e altre.

            Intanto i padri del concilio vanno a prendere posto nei loro seggi secondo l'ordine della loro dignità. Il sommo pontefice siede in trono in fondo della Chiesa, ed ha ai fianchi due cardinali diaconi assisi su due sedie. Viene in seguito a forma di circolare od ovale il sacro collegio dei cardinali, poscia i patriarchi, i primati, gli arcivescovi, i vescovi, gli abati mitrati, i generali degli ordini religiosi, e gli altri che hanno nel concilio voce deliberativa. Sotto un ricco baldacchino sta il libro dei Vangeli per significare esser ivi presente la divina maestà di Gesù Cristo, secondo quelle sue parole: «Ove sono due o tre radunati in nome mio, io mi trovo in mezzo loro,» e queste altre: «Ed ecco io sono con voi.» Nel concilio di Trento accanto ai Vangeli {147 [147]} erasi pure collocata la Somma Teologica di s. Tomás de Aquino.

            Intanto celebrata la Messa, e finite le preghiere preliminari si fa uscire il popolo, e si chiudono le porte del tempio, e il concilio si apre eleggendosi gli offiziali, e promulgandosi le leggi da osservarsi durante la sua celebrazione. Gli uffiziali principali che vengono eletti nella prima seduta del concilio sono di quattro specie: i consultori, i notari, i promotori, e gli scrutatori. I consultori hanno per uffizio di assistere il presidente del concilio nello studio e nella disposizione delle materie da trattarsi; i notari di scrivere tutto quello che si propone, si discute, e si risolve; i promotori invigilano per promuovere il buon andamento del concilio, richiamando in vigore, se sia bisogno, le leggi fin da principio promulgate, e procurando che siano da tutti osservate. Gli scrutatori infine sono quelli, il cui uffizio è di raccogliere i voti, riferirli e recarli ai consultori per farne lo scrutinio. Poscia s'intima l'altra sessione, {148 [148]} fissandone il giorno. Questo riguarda l'apertura, nella quale per lo più consiste la prima sessione. Nelle sessioni consecutive si passa all'esame delle materie, prima del quale peraltro hanno luogo varie preghiere per invocare l'aiuto dello Spirito Santo, il canto di un Vangelo adatto, e un discorso analogo.

            Riguardo poi al modo della discussione, anticamente le materie proposte si discutevano nelle sessioni o sedute pubbliche tra i padri del concilio, e i notari tutto scrivevano parola per parola. In seguito poi per minor dispendio di tempo, come nell'occasione del concilio tridentino, stabilironsi varie congregazioni particolari per approfondire nella materia, composte dei più dotti teologi, e priesiedute per ordinario da un cardinale o da un vescovo[35]. In queste {149 [149]} congregazioni si esaminano diligentemente le proposte questioni, e se ne formano i decreti in proposito. Le cose così disposte vengono poscia nuovamente esaminate e discusse in una congregazione più generale, in cui trovansi non solo i più insigni teologi {150 [150]} e doutores da Igreja, mas uma grande parte dos bispos que estão todos no poder de intervir. Aí, portanto, se necessário, o que parece bom no Senhor é mudado, removido e acrescentado. Quando tudo estiver preparado, realiza-se a sessão pública de todos os padres, na qual, caso se acredite que nada precisa ser mudado, os bispos e aqueles que têm voz deliberativa exprimem a sua opinião dando o seu voto a favor. Esta votação pode ser feita por particulares, como já foi praticado diversas vezes; ou coletivamente pelos bispos pertencentes a uma nação, como foi feito no Concílio de Constança. Neste último caso, os bispos de uma nação primeiro concordam entre si para depois levarem o seu voto colectivo ao concílio. Isso acontece nas sessões individuais, que acontecem com intervalos entre uma e outra, para que haja tempo de estudar, examinar e preparar os assuntos.

            Tom. Mas, Sr. Reitor, você não sabe que esta forma de proceder é {151 [151]} conselhos me parece estranho? Acreditei que os bispos e o Papa poderiam passar sem tantos testes e tantas pesquisas. Aqui? A Igreja não é infalível? Então, por que deveríamos nos preocupar tanto?

            Prev. Posso ver que você entende mal a forma como a Igreja de Jesus Cristo é infalível. Saibam portanto que a infalibilidade da Igreja pode ser entendida de duas maneiras, ou seja, a Igreja pode ser infalível quer através de uma nova revelação que Jesus Cristo faz aos seus pastores supremos; ou por meio da ajuda que ele lhes presta para compreender, penetrar e defender adequadamente a revelação já feita de toda mistura de erro. Ora, o primeiro caminho não é admitido, e nenhum dos católicos jamais o ensinou, visto que a revelação cristã foi iniciada pelo divino Redentor e concluída pelos apóstolos. Ele mesmo lhes disse que havia revelado tudo o que era necessário saber: Omnia feci nota vobis. A infalibilidade, portanto, que pertence à Igreja não se deve às notícias {152 [152]} revelações, mas a título de auxílio no exame da revelação já feita, no esclarecimento das verdades nela contidas. Portanto, não se deve imaginar que o papa e os bispos reunidos em concílio sejam imediatamente iluminados e inspirados pelo Espírito Santo, da mesma forma que os antigos profetas e os próprios apóstolos no dia de Pentecostes; Este não é o caso, digo, do Papa e dos bispos. Devem, portanto, usar de grande diligência e estudo para encontrar a verdade, consultar as Sagradas Escrituras e a Tradição divina, onde se encontra toda a Revelação de Jesus Cristo confiada à sua Igreja. Para fazer tudo isso você vê claramente que são necessários estudos e pesquisas. E como lição para todos os séculos futuros, os próprios apóstolos não fizeram o mesmo no Concílio de Jerusalém? Sim, e lemos de facto que antes de pronunciarem a frase fizeram grande disquisição: Cum magna disquisitio fieret. Este método foi então adotado universalmente em todos os concílios e em todos os {153 [153]} definições pontifícias de verdades reveladas, ou relacionadas com a Revelação, e portanto isto é justamente praticado por ocasião do Concílio Vaticano.

            Tom. Eu entendo. A Igreja tem, portanto, a elevada dignidade de professora de todos os homens; mas por sua vez ela ainda pode considerar-se discípula do Mestre dos mestres, que é Deus. Ora, este divino mestre, depois de ter ensinado a esta sua discípula todas as verdades necessárias para saber, auxilia-a a mantê-las sempre intactas, orienta-a e orienta-a a redescobrir, lembrar, esclarecer as verdades já reveladas, e portanto a dissolver as dúvidas que surgem, as questões que surgem; mas mesmo assim ele não quer que ela fique parada. Deus faz da sua Igreja mestra e juíza infalível em matéria de fé e de moral, mas ao mesmo tempo quer que ela recorra aos seus livros, aos seus códigos divinos para descobrir a verdade, para assim, de certa forma, torná-la merecedora do grande dom da infalibilidade; ele a quer {154 [154]} para evitar cometer erros, faça tudo o que você faria se não fosse ajudado por Deus e, enquanto isso, confie completamente na promessa de Jesus Cristo. Em suma, parece-me que Deus, na devida proporção, faz com a sua Igreja o que um bom professor faz com o seu discípulo querido, que antes ajuda o discípulo para que nos seus temas, nas suas redações, nos seus problemas não cometa nenhum erro, faça tudo com excelência e seja infalível no que estuda e no que faz, mas isto não o aliviando de todos os encargos, mas apenas em virtude de uma assistência contínua que ele lhe dá, para a qual lhe lembra as coisas já aprendidas em voz alta ou estudadas no livros que ele colocou em suas mãos. Não é verdade?

            Prev. Exatamente assim. Oh! isso realmente mostra que você é um estudante e, portanto, adapta as coisas ao seu modo de entender. Sabei, porém, que a ajuda que Deus, mestre supremo, oferece à sua Igreja é infinitamente mais sublime do que a ajuda que o {155 [155]} seu professor ao seu aluno, porque isso é uma ajuda sobrenatural e divina, isso é apenas natural e humano.

            Tom. Agora estou satisfeito. Então conte-me sobre o encerramento do conselho.

            Prev. Aqui estou para satisfazê-lo. Tendo realizado todas as sessões que se fizerem necessárias consoante a maior ou menor quantidade, a maior ou menor importância dos assuntos a tratar, tendo recolhido, como foi dito, os votos dos padres em cada sessão e definido as questões propostas, as definições feitas ficam espalhadas por muitos capítulos ou cânones. Embora já tenham sido lidos e aprovados nas sessões individuais, são, no entanto, relidos em voz alta nas últimas sessões. Depois disso são assinados, começando primeiro pelo Papa se estiver presente, ou pelos seus legados na sua ausência, depois pelos cardeais, depois pelos patriarcas, pelos primazes e gradualmente por todos os padres segundo o grau da sua dignidade; principalmente usando estas palavras: I N. N. bispo definindo que assinei. Se outros não têm voto deliberativo, também dão o seu {156 [156]} assinatura, utilizam uma fórmula que indica que não assinam como juízes, mas apenas como sinal de adesão ou proteção como faziam os imperadores na antiguidade[36]. Se o papa comparece pessoalmente ao concílio, neste caso o confirma assinando-o, tornando-o assim infalível em matéria de fé e de moral e, portanto, irreformáveis ​​as definições, que portanto a partir desse momento devem ser consideradas e veneradas tanto quanto o Evangelho, como oráculos do Espírito Santo. Se o papa não preside pessoalmente o concílio, então os padres, enviando-lhe os documentos, pedem-lhe ao mesmo tempo que aprove e confirme com o seu apostólico {157 [157]} autoridade o que eles estabeleceram, como fizeram os padres do primeiro Concílio Niceno com o Papa São Silvestre. Só neste segundo caso, depois de o Papa ter dado a sua aprovação, o Concílio poderá gozar do dom da infalibilidade e adquirirá uma autoridade irrefutável em toda a Igreja.

            Tendo realizado o acima na última sessão, uma vez concluídas as cerimônias prescritas, um canto solene é cantado Te Deum em ação de graças ao Deus três vezes santo pelos benefícios recebidos, e assim a mais augusta e venerável assembleia da terra é dissolvida. Aqui está resumidamente o que será geralmente praticado na celebração do próximo Concílio Ecuménico. Felizes aqueles que terão a sorte de se encontrarem num espetáculo tão raro nas glórias da Igreja, num espetáculo que faz de nós na terra uma imagem do Céu. Aproveitemos, portanto, a vida nesta época de aventuras, em que pela misericórdia de Deus se realiza um ato tão solene da Igreja {158 [158]} nossa mãe, tão gloriosa para nossos ss. A religião, e com a oração e a prática da virtude preparemos agora nossos corações para receber com reverência e docilidade o que ali for decretado.

            Tom. Oh! Como eu gostaria de participar desse conselho também! Mas isto é quase impossível para mim, especialmente porque o Papa nem me convidou. No entanto, ainda gostaria de fazer algo em favor do mesmo. O que eu poderia fazer, Sr. Reitor?

            Prev. Se este é o seu desejo, saiba que muito facilmente poderá tornar-se muito merecedor do Concílio e de toda a Igreja. E aqui está como:

            1° A partir de amanhã e até o encerramento solene do concílio recitar três todos os dias pela manhã ou à noite Ave Maria à Virgem, Ajuda dos cristãos, colla seguente giaculatoria: Maria, auxilium Christianorum, ora pro nobis[37], {159 [159]} ed un Pater, Ave e Gloria para a esquerda. Pedro com a seguinte oração pela Igreja e pelo Papa.

 

Oração.

 

            Escuta favoravelmente, ó Senhor, as nossas orações, e deixa que todas as adversidades e erros sejam destruídos, para que a tua Igreja te sirva com plena liberdade.

            Deus todo-poderoso e eterno, tenha misericórdia também do seu servo, nosso sumo pontífice Pio, e segundo a sua bondade, guie-o no caminho da salvação eterna, para que através da sua graça ele deseje ardentemente e faça com coragem o que lhe agrada.

            Ó Senhor, preserve-o, fortaleça-o e faça-o feliz na terra, e nunca permita que ele caia no poder de seus inimigos. Deixe-o trabalhar para promover o bem das almas com zelo apostólico, para estender o seu reino aos corações de todos os homens; defenda com coragem {160 [160]} os direitos da sua Igreja e como timoneiro experiente no mar tempestuoso deste mundo você guia o navio de Pedro ao porto da saúde. Fazei com que ele veja dias felizes para a Igreja, os erros destruídos, os escândalos cessados, os cismáticos, os hereges e todos os seus inimigos convertidos, para que à frente de um rebanho muito numeroso ele chegue ao céu e receba de ti, pastor supremo, o guia eterno. Assim seja. Então diga-se: Bendita seja a santa e imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria. - Como eu disse, recite essas orações todos os dias.

            2º Tente ganhar o jubileu mais cedo e depois aproxime-se devotamente dos santos Sacramentos da Confissão e da Comunhão com a maior freqüência possível.

            Tom. Bem; mas por que razão estas orações e estes Sacramentos?

            Prev. Obter de Jesus Cristo e de sua Mãe Santíssima e de S. Pedro, o Primeiro Papa, estas três graças:

            1a Que o conselho não seja impedido {161 [161]} nem perturbado pelos inimigos de Deus e da Igreja;

            2a A reunião da Igreja cismática com a Igreja Católica;

            3a A conversão dos protestantes, especialmente da Inglaterra.

            Garanto que ao fazer isso você estará fazendo muito a favor do conselho. Por outro lado, também posso assegurar-lhes que suas orações serão muito bem-vindas a Nosso Senhor Jesus Cristo, que nada mais deseja do que receber oração pela saúde daquelas almas que já foram redimidas por ele com seu próprio sangue. Oh! Felizes sois vós, se com as vossas fervorosas orações, se com as vossas devotas comunhões, conseguirdes obter a conversão, mesmo que de um só cismático, ou de um só protestante! E quem sabe se as vossas orações não conseguirão a conversão de algum bispo cismático ou de algum ministro protestante! Se assim fosse, certamente se seguiria um grande bem para as almas, pois elas seriam iluminadas pela luz da verdade, voltando à {162 [162]} A Igreja Católica, com o seu exemplo e as suas palavras, atrairia ao mesmo o rebanho que lhe foi confiado; e assim o triunfo da Igreja seria mais esplêndido, e o fruto do concílio mais abundante, e a tua coroa celestial mais bela e mais rica.

            Tom. Bem, eu irei; na verdade, farei com que todos os membros da família façam o mesmo comigo à noite, todos juntos. Tenho certeza de que meu pai, minha mãe e minhas boas irmãs estarão muito dispostos a me apoiar. Mais, ah! quão feliz eu ficaria se pudesse formar também um pequeno grupo de outros jovens companheiros meus, e todos nós de acordo em nos aproximarmos da Sagrada Comunhão para este santo propósito nos dias de festa. Chega, amanhã eles vão me contornar e, se der certo, será realmente uma grande coisa. Porque o nosso exemplo juvenil, se se espalhasse, entusiasmaria muitas outras pessoas e traria um fervor inusitado a toda a paróquia. É assim que imagino.

            Prev. Abençoe a Deus seus votos. {163 [163]} De minha parte, não deixarei de ajudá-lo[38].

            Entretanto terminarei a nossa conversa com as palavras de um erudito prelado da Irlanda, o Cardeal Arcebispo de Dublin. «Se lançarmos um olhar para toda a terra, diz ele, que espetáculo miserável se oferece aos nossos olhos! Em todos os lugares revoluções, {164 [164]} em todos os lugares rebeliões, em todos os lugares discórdia civil e ameaças de guerra.» E depois de ter passado em revista as catástrofes e as convulsões de diversas partes do mundo, pára na Itália e continua: «Fixamos o olhar sobre a Itália e o que vemos?... A confusão reina por toda parte. De todo o território italiano, apenas um canto permanece livre de tal infortúnio. Neste canto reina um venerável velho (o Papa) não quebrantado pelos anos, não enfraquecido pelas ansiedades e pela dor; um velho que também sabe manter a paz em seu pequeno e empobrecido reino; ele sabe dar ao mundo um exemplo de constância invencível e defender os direitos da sociedade e da autoridade. Ele tem tão pouco as conspirações e as intrigas que hoje convocou todos os bispos do universo para um concílio em Roma. A causa da justiça e da ordem será protegida e defendida por este concílio ecuménico, e os bispos que se reúnem apenas para trabalhar pela saúde da humanidade triunfarão sobre todos os obstáculos. {165 [165]} E esta não é uma visão digna do Todo-Poderoso?” Então ele.

            Meu querido Tomé, os inimigos de Deus e da Igreja, ao verem o concílio se aproximando, tremem. Este é um bom sinal para nós; é um sinal de que um grande triunfo se aproxima. Mas esperamos e confiamos ao máximo. Esperamos em Deus, esperamos na Virgem Imaculada, esperamos em Pio IX, esperamos no Concílio, esperamos na Igreja que, fundada por Jesus Cristo acima de Pedro, foi, é e será até o fim dos séculos uma rocha imóvel, para confortar o guia justo e seguro de todos os cristãos, para criar um só pastor e um único redil na terra, e um só reino na glória do Bem-aventurado no céu.

            Con permissione ecclesiastica. {166 [166]}

 

Indice

 

            Proemio

página. 3

            CONVERSA I. Conselhos - Suas espécies; particular e geral - Diocesano, provincial e nacional - Condição para que um concílio seja considerado geral e legítimo - Quem pode convocar o concílio geral - Quem tem o direito de intervir e dar voto deliberativo - Concílios apostólicos - Utilidade dos concílios

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            CONVERSA II. O papa é superior ao concílio - O papa é infalível em questões de fé e moral, até mesmo em si mesmo - Nenhum papa jamais errou como papa - Infalibilidade e autoridade do concílio - Nenhum novo dogma é criado nos concílios - As definições e leis de um concílio vinculam os cristãos por si mesmas - Testemunhos não suspeitos em favor dos concílios página. 39 {167 [167]}

 

            CONVERSA III. Quantos conselhos gerais já ocorreram; breve menção de cada

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            CONVERSA IV. Do primeiro concílio Vaticano. - A sua finalidade - A sua oportunidade - Graves motivos que levaram o Papa a convocá-lo - Convite feito aos bispos cismáticos e protestantes - Abertura do concílio - Discussão e a forma como a Igreja é infalível - Encerramento - Oração e esperança

133 {168 [168]}

 



[1] A palavra ecumênico vem de uma palavra grega que significa universo ou terra habitada. Portanto, um concílio ecuménico ou universal é aquele para o qual são convidados os bispos de toda a terra.

[2]Matt. XXVIII.

[3]Att. XX, 28.

[4]Socrat. Storia Eccl. lib. I, cap. 8.

[5]Euseb. Vita di Costant.

[6]Com efeito, deveriam fazer este pedido à Igreja e, entretanto, trabalhar de todas as formas possíveis para a celebração e o êxito do próximo Concílio, como o Pontífice mostrou esperança na sua carta de convocação. Este seria um bom meio de reparar os danos causados à religião nos últimos tempos. Até o ainda pagão imperador birmanês, ao saber que este ano Pio IX convocaria um concílio em Roma, ficou feliz e disse que queria cobrir as despesas de viagem dos bispos do seu estado e dar presentes. Se é isso que os príncipes pagãos fazem, não deveríamos esperar mais dos príncipes cristãos?

[7]Deut. XVII, 8.

[8]Num. XI, 16.

[9]Destas originaram-se as chamadas cartas encíclicas ou circulares, que os papas ainda enviam às igrejas católicas.

[10]Att. XV.

[11]Matt. XVIII, 20.

[12]Mat. XVI, 20.

[13]Qui. XVI, 15 e segs.

[14]Luc. XXII, 32.

[15]Mat. XVI, 18.

[16]Qui. XVII, 20, 21.

[17]Luc. XXII, 31, 32.

[18]In Psal. XL, n. 30.

[19]Epist. XV.

[20]Há cerca de dois anos, foi feito um incitamento aos católicos para que fizessem o voto de acreditar, professar, defender com palavras e escritos, e se necessário até com a vida, a infalibilidade individual do Papa, embora ainda não tenha sido declarada a verdade da fé, da maneira que os bons católicos costumavam praticar em relação à Imaculada Conceição de Maria antes da solene definição feita pelo governante e imortal Pio IX em 8 de dezembro de 1854. Temos o prazer de aproveitamos esta oportunidade favorável para dirigir este convite aos nossos leitores, aliás, encorajamo-los cordialmente a fazerem este voto em honra de Jesus Cristo e do seu vigário na terra, para a aquisição de maiores méritos no céu, rogando ao mesmo tempo ao Deus misericordioso para que em breve esta bela verdade seja solenemente declarada pela Santa Igreja como um dogma de fé.

[21]Matt. XVIII, 17.

[22]Att. XV, 41.

[23]O referido erro já foi condenado pelo Governante Pio IX na sua carta encíclica: Quanta cura de 8 de dezembro de 1864.

[24]I Epist. Contra Zwinglium.

[25]Enquanto era carregado publicamente em triunfo para ser restaurado à sua antiga dignidade, oprimido pela necessidade natural retirou-se para uma casa de banho, onde morreu miseravelmente, sangrando grandes quantidades de sangue.

[26]O Credo Niceno com esta adição é o que é comumente chamado de Eu acredito, e é cantado todos os domingos na missa paroquial.

[27]Notou-se que Martinho V apenas aprovou o que havia sido definido no concílio em torno da fé.

[28]Depois que o Papa Eugênio declarou o Concílio de Basileia transferido para outro lugar, alguns prelados indignos quiseram continuá-lo em Basileia, apesar dele e contra ele. Portanto, o alegado Concílio de Basileia não deveria ser considerado ecuménico mesmo nas suas primeiras sessões. Os seus decretos, nem os primeiros nem os últimos, nunca foram aprovados por nenhum papa e, diga-se, nem mesmo por Eugênio IV. E com razão, sim. Antonino que viveu naquela época chamou este suposto Concílio de Basileia: Conciliabolo di satana.

[29]Ovidio.

[30]Veja também a Encíclica Quanta cura de Pio IX, de 8 de dezembro de 1864, e o programa anexo, prop. 79.

[31]Todos esses montes de males foram muito acertadamente e filosoficamente reduzidos pelo ilustre bispo de Orleans em sua famosa carta sobre o futuro concílio a estes três pontos:

                1o A ruína das assembleias, desmoronadas pela direção ímpia dos estudos científicos e filosóficos;

                2° a selvageria dos costumes impulsionada por mil meios de propaganda corrupta;

                3o por último, os mal-entendidos infundados que os inimigos da religião têm o prazer de fomentar entre a Igreja e os povos modernos. Aqui estão as três doenças a serem curadas no próximo concílio.

[32]O mesmo jornal protestante o Times falando do convite do Santo Padre aos protestantes, ele o declarou uma prova de sua conhecida gentileza (Tempo 3 de outubro de 1868).

[33]As notícias de Janeiro deste ano vindas do Oriente dizem-nos que há esperança para o futuro concelho. Os cismáticos arménios reflectem muito sobre isto e mostram-se prontos a entrar no seio da Igreja Católica. Espera-se que boa parte dos cismáticos gregos também façam o mesmo, apesar da oposição do seu patriarca de Constantinopla, que chegou ao ponto de recusar rudemente a carta-convite que lhe foi enviada pelo Papa. Este ato rude é muito responsabilizado pelos próprios gregos cismáticos.

                Vários bispos já declararam o seu desejo de se tornarem independentes da sua jurisdição.

[34]Para que os fiéis possam através de suas orações obter graças especiais de Deus em favor do concílio, o Papa Pio IX já concedeu uma indulgência plenária em forma de jubileu a ser conquistada desde o início do primeiro dia de junho até o final do concílio.

[35]Desde o ano passado o nosso Santo Padre, para preparar os estudos necessários sobre os assuntos que deverão ser submetidos ao exame e definição do concílio, nomeou seis comissões, ou congregações de acordo com seis assuntos diferentes a serem discutidos, cada uma composta por várias personalidades ilustres e eruditas, algumas das quais foram trazidas a Roma de muitas partes do mundo e presididas por um cardeal. Estas Comissões individuais reúnem-se, muitas vezes sob a presidência do respetivo responsável, para discutir os temas propostos. Tudo é examinado e discutido, comprovado com todas as razões teológicas e demonstrações científicas de que o assunto é capaz.

                Sua Santidade então, através dos respectivos Cardeais Presidentes, é informado de tudo, e com sua alta e sábia direção tudo governa para o sucesso do concílio. Porém, tudo isso nada mais é do que um estudo preparatório. Porque sobre as propostas materiais só o concílio assistido pelo Espírito Santo deverá fazer o seu julgamento definitivo, porque a única responsabilidade de pronunciar com palavras infalíveis cabe ao corpo episcopal, presidido pelo Sumo Pontífice: Visum est Spiritui Sancto et nobis.

[36]É digno de nota que no concílio geral de Florença apenas Eugênio IV, que o presidiu pessoalmente e assinou, utilizou a palavra definir, escrevendo: Eu, Eugênio, bispo da Igreja Católica, assinei esta definição. Todos os outros bispos, embora verdadeiros juízes, abstiveram-se, no entanto, de falar por respeito ao Papa definir, e eles se contentaram em colocar seu próprio nome nele.

[37]Quem recita esta ejaculação cada vez ganha a indulgência de 300 dias concedida apenas pelo reinante Pio IX (14 de fevereiro de 1869).

[38]Seria muito louvável se o exemplo deste bom jovem fosse imitado por outros, especialmente pelos filhos e filhas entre eles divididos em muitos grupos de dez a doze cada. Assim alguém viria a testemunhar fede, por esperança e de amor ao glorioso e magnânimo Pontífice, e à santa Igreja, nossa dulcíssima mãe.

                Para tal nos recomendamos aos nossos leitores, convidando-os a juntarem-se a nós. Os párocos deveriam incutir isto nos seus paroquianos; planta superiores aos seus subordinados. Os pais e mães de família aos seus empregados. Desta forma, além do bom efeito da oração e da frequência aos Santos Sacramentos, obter-se-á também outra vantagem, que é a de despertar e manter viva a fé entre o povo cristão no próximo concílio, preparando as suas mentes para posteriormente aceitar com docilidade os estatutos e observar fielmente as leis.




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