Uma proposta que trazia responsabilidades
Enquanto suas amigas se casavam, Margarida pensava em permanecer com os pais e cuidar deles na velhice. Melchiorre, porém, reconhecia na filha as condições para formar uma família. Foi nesse período que Francesco Bosco voltou a passar pela casa dos Occhiena com uma intenção diferente das conversas sobre semeadura e colheita.
Francesco trabalhava como meeiro nos Becchi, na região de Morialdo. Ficara viúvo em 1811, depois de perder a primeira esposa e uma filha pequena. Tinha um menino, Antonio, e sua mãe idosa precisava de assistência. A família Occhiena já o conhecia: ele visitava uma irmã em Capriglio e conversava com Melchiorre.
Quando pediu Margarida em casamento, os pais conversaram entre si e depois com a filha. A resposta dependia também dela. O pai lhe explicou que encontraria uma casa mais pobre, onde o sofrimento já havia entrado. Seria necessário cuidar de um menino desde o início. Margarida aceitou esse horizonte concreto.
O casamento e a chegada aos Becchi
O casamento aconteceu em Capriglio, em 6 de junho de 1812. Margarida tinha 24 anos. Conforme a legislação vigente, houve primeiro o registro civil e depois a celebração religiosa. O texto-base recorda que o documento civil foi redigido em francês, sinal da presença das instituições napoleônicas no Piemonte.
A roupa de festa e os poucos adornos recebidos da família foram guardados depois da celebração. Margarida foi morar nos Becchi, na casa ligada ao trabalho de Francesco para os Biglione. Ali a esperavam o marido, Antonio, de cerca de quatro anos, e a sogra, também chamada Margherita.
A biografia descreve uma acolhida afetuosa. A sogra a recebeu como uma bênção; Antonio encontrou colo na nova mãe. É importante lembrar a composição dessa família: Antonio era filho do primeiro casamento de Francesco. Giuseppe e Giovanni nasceriam da união de Francesco com Margarida. O cuidado materno dela, porém, abrangia os três.
Ter uma terra e uma casa
Francesco desejava deixar a condição de meeiro e tornar-se pequeno proprietário. Com economia e trabalho, adquiriu uma pequena área de campo e vinha. Comprou animais e, depois, uma construção modesta que servia para guardar ferramentas, abrigar o gado e armazenar o feno.
Essa construção teria um papel decisivo depois de sua morte: adaptada, se tornaria a casa onde João cresceu, hoje conhecida como Casetta dos Becchi. Distinguir essa casa da residência ligada à Cascina Biglione ajuda a compreender a geografia da família e evita confundir o lugar do nascimento com a casa da infância.
A vida do casal incluía dívidas a pagar, tarefas agrícolas e planos que avançavam aos poucos. A pobreza exigia escolhas contínuas, mas as memórias também preservam a alegria do encontro ao fim do trabalho e o afeto entre pais e filhos.
Giuseppe e Giovanni
Giuseppe nasceu em 8 de abril de 1813. Giovanni, o futuro Dom Bosco, nasceu em 16 de agosto de 1815. Nas Memórias do Oratório, o filho recordaria os pais como agricultores que ganhavam honestamente o pão com trabalho e economia, sustentando a avó e as três crianças.
A fé também fazia parte desses primeiros anos. Margarida diria mais tarde a Giovanni que o havia confiado à Virgem Maria desde o nascimento. O texto-base menciona ainda a tradição de uma ida com o menino enfermo à Madonna dei Bastioni, em Villanova d’Asti. Essa visita é apresentada como tradição biográfica, sem convertê-la em um episódio documentalmente estabelecido nesta edição.
A memória de Michele Rua, citada por Teresio Bosco, reúne os traços que ele reconheceu nos pais de Dom Bosco e, especialmente, em Margarida: fé, generosidade, coragem e prudência. Antes de Valdocco, essas qualidades já eram vividas dentro de uma família que procurava construir seu futuro nas colinas.
Margarida começou a vida de casada assumindo um cuidado que já existia: acolher Antonio, acompanhar a sogra e construir com Francesco a casa dos três irmãos.