A despedida da avó
Em fevereiro de 1826, a família enfrentou outro luto: a morte da avó paterna. Segundo a narrativa recolhida por Giovanni Battista Lemoyne e retomada no texto-base, Margarida e os netos estavam junto dela nos últimos momentos.
A avó agradeceu o cuidado recebido e pediu orações. A biografia a apresenta reconhecendo, de maneira particular, o que Margarida fizera por ela. Para Antonio, que já havia perdido a mãe e o pai, era mais uma despedida importante dentro da família.
João via a mãe rezar com os irmãos e aprendia a linguagem cristã da esperança para além da morte. Teresio Bosco liga essa experiência à espiritualidade que mais tarde apareceria no Oratório. Essa ligação é uma leitura da trajetória de Dom Bosco, feita a partir das memórias familiares.
Uma preparação paciente
Nas Memórias do Oratório, Dom Bosco afirma que foi admitido à Primeira Comunhão por volta dos onze anos e recorda o empenho da mãe. Como moravam longe da igreja, grande parte de sua instrução religiosa havia sido recebida em casa. Margarida quis que ele se preparasse com cuidado e o encaminhou ao catecismo durante a Quaresma.
Ela o acompanhou também nas confissões. Recomendava sinceridade, desejo de melhorar e atenção ao significado do que receberia. Na véspera, ajudou-o a rezar e a concentrar-se. João conservaria a lembrança de palavras e gestos que davam importância àquele dia.
O texto-base menciona ainda o testemunho de Giovanni Filipello, companheiro de catequese, sobre a facilidade de João em aprender. O episódio reforça a imagem de um menino bem preparado, mas a identificação do pároco e a data precisam ser lidas com a cautela indicada abaixo.
O dia da Comunhão
Na igreja, em meio aos outros meninos e às famílias, Margarida ficou ao lado do filho. Participou com ele da preparação e da ação de graças. Na memória de Dom Bosco, sua presença ajudou a preservar o recolhimento dentro de uma ocasião muito movimentada.
Em casa, procurou reservar o dia para a oração e a leitura, sem as tarefas habituais. Seus conselhos voltavam à sinceridade na Confissão, à participação na Comunhão e ao cuidado com as escolhas. O filho escreveria que sempre procurou recordar e praticar o que a mãe lhe dissera.
A lembrança não termina em um gesto exterior. João associa o acontecimento ao desejo de se tornar melhor. É nessa continuidade entre catequese, sacramento e vida que o texto reconhece o alcance da formação oferecida por Margarida.
Por que aparecem 1826 e 1827?
O material italiano aproxima a Primeira Comunhão da morte da avó, em 1826. Essa data também aparece em cronologias salesianas. Contudo, a edição crítica das Memorie dell’Oratorio publicada por Aldo Giraudo observa que João completou onze anos em agosto de 1826 e propõe, como hipótese provável, a Páscoa de 1827.
A mesma edição identifica Giuseppe Sismondo como pároco de Castelnuovo naquele período. Por isso, esta adaptação não fixa o episódio sob o nome de outro pároco indicado no trecho fornecido nem transforma a proximidade de quarenta e cinco dias em certeza cronológica.
A cena central permanece apoiada na recordação de Dom Bosco: sua mãe o preparou e o acompanhou. A precisão do ano é uma questão de leitura histórica, explicitada para que o leitor possa distinguir o testemunho do filho das reconstruções de calendário feitas depois.
A data é discutida, mas a memória do cuidado materno é clara: Margarida preparou João, esteve ao seu lado e o ajudou a levar a fé para a vida.